ONG diz que joint venture de Shell com Cosan ameaça índios guaranis

Terras da empresa pertencem aos guaranis, afirmou Survival

Efe

28 de setembro de 2010 | 09h54

LONDRES - A ONG Survival International criticou hoje a joint venture da companhia petrolífera Shell com a brasileira Cosan, do setor de biocombustíveis, porque o acordo colocaria ainda mais em risco a sobrevivência dos índios guaranis.

 

"A Shell pode agravar o que já é uma das situações mais críticas de todos os povos indígenas do Brasil. A companhia sabe o que seu parceiro brasileiro está fazendo e esperamos que não queiram se ver envolvidos no terrível roubo de terras guaranis", alerta a ONG em comunicado.

 

A Shell assinou no mês passado um acordo de US$ 12 bilhões com a Cosan para a produção de biocombustíveis a partir da cana-de-açúcar, mas parte desses cultivos estão em terras oficialmente reconhecidas como pertencentes aos guaranis, denuncia a Survival.

 

Segundo a ONG, um promotor brasileiro com poderes constitucionais para defender os direitos dos povos indígenas escreveu à Shell para advertir que essa joint venture com a Cosan "põe em perigo" o compromisso da primeira com "a biodiversidade e a sustentabilidade".

 

O filme "Birdwatchers", de 2008, chamou a atenção do mundo sobre os problemas dos guaranis e uma das estrelas daquele filme, Ambrósio Vilhalva, pertence à comunidade afetada pelas atividades da Cosan.

 

"As plantações de cana-de-açúcar estão acabando com os índios. Nossas terras se veem cada mais reduzidas. As plantações estão matando aos índios", denuncia o próprio Vilhalva em palavras divulgadas pela Survival em seu comunicado.

 

Quase todas as terras guaranis lhes foram já roubadas para dar lugar a criações de gado e plantações de soja e de cana-de-açúcar, destaca a Survival.

 

Segundo a ONG, os guaranis sofrem violentos ataques cada vez que tentam voltar a suas terras ancestrais e vários de seus líderes foram assassinados por pistoleiros.

 

A tribo tem também um dos índices de suicídio mais elevados do mundo. Os bebês morrem de desnutrição porque os pais carecem de terras para cultivar ou caçar, conclui a ONG britânica.

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