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Mascote de garimpo, onça viaja 3 mil km para ser tratada em Jundiaí

Após ser apreendido no Pará, felino ameaçado de extinção será monitorado 24 h por dia para possivelmente ser devolvida à floresta

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

13 Julho 2015 | 09h40

SOROCABA - Mascote de um garimpo no Estado do Pará, uma onça-pintada foi apreendida por agentes ambientais e viajou mais de 3 mil quilômetros para receber tratamento em Jundiaí, no interior de São Paulo. Na ONG Associação Mata Ciliar, o espécime macho de felino, ameaçado de extinção na natureza, será mantido à distância do homem e observado por câmeras 24 horas por dia para, possivelmente, voltar a viver em liberdade na floresta.

A onça foi resgatada por agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no garimpo Porto Novo, no município de Novo Progresso, sudoeste paraense, após uma denúncia.

Para que não comesse animais domésticos, o felino ficava parte do tempo preso por uma corrente. Imagens da onça amarrada, postadas na internet, foram monitoradas pelos agentes ambientais.

A onça-pintada, com cerca de um ano e meio de idade, pesando 55 quilos, viajou em veículo do Ibama até Cuiabá, em Mato Grosso, de onde seguiu de avião para Brasília.

A viagem aérea até o Aeroporto de Viracopos, em Campinas, no interior de São Paulo, foi completada no compartimento de cargas de um avião da TAM. De novo em terra, o felino seguiu de caminhão para a ONG de Jundiaí.

A coordenadora de fauna da Associação, Cristina Harumi Adania, conta que a onça era tratada como mascote dos garimpeiros, que a chamavam de Felipe. Provavelmente, o felino tenha sido apanhado ainda filhote, mas era mantido solto e saía para caçar. Ele passou a ser acorrentado depois de atacar porcos e galinhas criados pelos garimpeiros. Na viagem após o resgate, o felino destruiu o viveiro em que estava alojado e quase fugiu. Na chegada à ONG arrebentou uma tela.

O estresse da onça foi considerado um bom indicador de que o felino mantinha as características de animal selvagem. "A musculatura e o porte são bem desenvolvidos, diferente dos felinos apreendidos em cativeiro que chegam aqui", disse Cristina.

Sob os cuidados da associação estão outras nove onças-pintadas e sete onças-pardas. A onça Felipe vai permanecer em observação por trinta dias, período em que será submetida a testes, como apresar pequenos mamíferos, escalar obstáculos e explorar o ambiente. 

"Se os resultados indicarem que esse espécime tem condições de sobreviver na natureza, vamos providenciar a soltura. Caso, contrário, ficará em cativeiro e será usada em projetos de reprodução", disse Cristina.

Um dos cuidados será evitar qualquer contato com pessoas. No garimpo, a onça convivia com pessoas que a alimentavam. A intenção é devolver ao animal o instinto de que a presença do homem indica perigo, para que a bela e rara onça pintada não se torne presa fácil de caçadores. 

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