Óleo retirado de praias vira combustível para indústria em Pernambuco

Óleo retirado de praias vira combustível para indústria em Pernambuco

O resultado, chamado de 'blend energético', é vendido para pelo menos três empresas de produção de cimento e utilizado como combustíveis de fornos

Priscila Mengue (texto) e Tiago Queiroz (fotos), enviados especiais ao Nordeste

25 de outubro de 2019 | 05h00

IGARASSU - As imagens de toneladas e mais toneladas de óleo sendo retiradas das praias do Nordeste têm levantado uma questão: e depois, o que fazer com todo esse material? A resposta em Pernambuco foi destiná-lo à Central de Tratamento de Resíduos, a Ecoparque, empresa contratada em regime de urgência, cujo aterro é sediado em Igarassu, a cerca de uma hora do Recife.

Para lá, foram destinadas mais de 1,3 mil toneladas de óleo e itens contaminados pela substância, como baldes, luvas e máscaras. O material passa por triagem para reduzir a presença de areia e, em seguida, é triturado junto de tecidos, borrachas e outros itens que tiveram contato com produtos industriais. O resultado forma pilhas de fragmentos diversos, em que o óleo das praias se destaca pelo brilho característico.

O resultado é o que chamam de blend energético, que é vendido para pelo menos três empresas de produção de cimento. É utilizado como combustíveis de fornos junto do coque - um subproduto destilado do petróleo.

“O petróleo sólido é muito caro e exige grande logística, porque vem de navio. Assim como o coque, esse blend tem o poder calorífico alto”, explica Romero Dominoni, diretor geral da Ecoparque.

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O material retirado das praias chega em caçambas, trazidas por caminhões. É, então, despejado em uma área coberta do aterro, destinada aos resíduos tóxicos, que tem diversas camadas de proteção para não ter contato direto com o solo - segundo Dominoni. Esse espaço tem quarenta metros de largura, por 10 metros de profundidade e cem metros de comprimento.

O governo pagou R$ 150 por tonelada de resíduo (inclui óleo e itens contaminados), valor que está firmado em um contrato emergencial com o governo de Pernambuco.

“Sozinho, ele não serve para o forno. Precisa de uma mistura do blend com o coque, mas se usa menos coque que o normal e, com isso, se economiza (o comprador)", explica Dominoni.

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