OCDE considera ineficaz taxar CO2 de importações

A imposição de impostos de ajuste nas fronteiras pelo CO2 "pode ser custosa", afirmou a OCDE

EFE,

18 Setembro 2009 | 17h08

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) alertou para a ineficácia de um imposto sobre as emissões de dióxido de carbono (CO2) nas importações que entram na União Europeia (UE).

 

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O objetivo da taxação seria evitar a concorrência desleal de países que não fazem esforços para combater a mudança climática.

 

A imposição de impostos de ajuste nas fronteiras pelo CO2 "pode ser custosa", afirmou a OCDE em uma apresentação organizada por seu secretário geral, Ángel Gurría, às vésperas da cúpula da ONU sobre a mudança climática no próximo dia 22 em Nova York.

 

Em alusão à proposta de alguns líderes europeus - em particular do presidente francês, Nicolas Sarkozy - de aplicar um imposto às importações de países que não respeitem um acordo internacional para limitar o aquecimento global, a OCDE assegurou que isso teria "efeitos desprezíveis" sobre a competitividade da indústria da UE.

 

Além disso, encareceria os custos de cumprir o compromisso europeu de diminuir em 50% suas emissões de CO2 até 2050, que passariam de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) da UE para 1,8%.

 

Para a organização, o mais eficiente em termos de custo é fazer com que as grandes economias emergentes se integrem nas ações para cortar as emissões causadoras do efeito estufa, para depois conseguir que todos os países em desenvolvimento também o façam.

 

De acordo com seus cálculos, limitar esse aquecimento a menos de três graus centígrados teria um custo de quatro pontos percentuais do PIB mundial para 2050, em relação à hipótese de não fazer nada para evitá-lo - neste caso, a temperatura subiria entre quatro e seis graus centígrados em 2100.

 

Para os especialistas da OCDE, uma das prioridades é eliminar as subvenções ao consumo de combustível nas economias emergentes e nos países em desenvolvimento, já que isso isoladamente permitiria diminuir as emissões de CO2 em 10% para 2050.

 

A entidade também alertou que, mesmo se seus 30 países-membros reduzirem suas emissões para zero até 2050, essa diminuição seria plenamente compensada pela alta das grandes economias emergentes (China, Índia, Brasil e Rússia) caso estas não façam esforços para controlar a mudança climática.

 

Além disso, a OCDE criticou os mecanismos para isentar as indústrias intensivas em energia do mercado de emissões com o objetivo de protegê-las da concorrência externa, já que isso encareceria em 50% os custos para conseguir o objetivo de uma mudança climática controlada em 2050.

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