Obama suspende prospecção de petróleo no Golfo

Presidente americano se diz 'furioso e frustrado' e reconhece erros de sua administração

Gustavo Chacra, Correspondente do Estado

28 Maio 2010 | 09h31

Usando os adjetivos “frustrado e irritado”, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, admitiu erros de seu governo na condução do combate ao vazamento de petróleo no Golfo do México, considerado o maior desastre ecológico da história do país, que dura mais de um mês.

 

Estima-se que pelo menos 85 milhões de litros de óleo tenham vazado no golfo, número que pode chegar a 340 milhões de litros – no acidente do Exxon Valdez, no Alasca, em 1989, vazaram 40 milhões de litros.

 

Em entrevista na Casa Branca, o presidente anunciou a interrupção de novas perfurações para a prospecção de petróleo no golfo e prorrogou por mais seis meses uma moratória para a exploração de petróleo na costa do Atlântico dos EUA, autorizadas em março deste ano.

 

As medidas foram determinadas pouco depois de a diretora do Serviço de Gerenciamento Mineral, Elizabeth Birnbaum, responsável pelo setor de exploração de petróleo no governo, entregar seu cargo – a pedido do secretário do Interior, Ken Salazar –, intensificando a crise.

 

Obama disse que “estava errado” ao achar que as companhias de petróleo haviam se preparado para desastres como o do golfo. “Caso vocês queiram saber quem é o responsável, eu assumo toda a responsabilidade. É meu dever fazer de tudo para interromper o vazamento”, disse o presidente, que viaja hoje para a região. Na avaliação do presidente, seu governo deveria ter sido mais ágil para combater “a relação corrupta” entre as agências regulatórias e a indústria do petróleo.

 

Resposta  

 

Ao mesmo tempo, Obama rebateu críticas de que seu governo não reagiu rapidamente ao vazamento. “Os que acham que nós fomos muito lentos para agir ou que nossa resposta não teve a urgência necessária desconhecem os fatos. Essa é a nossa prioridade desde que a crise começou”, afirmou.

 

Os opositores aproveitam a crise para dizer que o vazamento de petróleo será o equivalente do furacão Katrina para o atual governo. Até mesmo integrantes do Partido Democrata disseram estar decepcionados com a administração, incluindo James Carville, um dos principais estrategistas do partido. Para ele, “é simplesmente inacreditável a estupidez” política do atual governo no gerenciamento da crise.

 

Obama sempre condenou a forma como o ex-presidente George W. Bush lidou com o desastre causado pelo Katrina, que afetou justamente os mesmos Estados de agora: Louisiana, Mississippi e Alabama.

 

O método mais recente a ser experimentado para deter o desastre, chamado “top kill”, apresentava bons resultados ontem, mas ainda é cedo para determinar o sucesso da operação (mais informações nesta página). Além do top kill, outras medidas foram tomadas para evitar a propagação da mancha de óleo, que atinge a costa de alguns dos Estados mais pobres dos EUA.

 

O governo do Estado da Louisiana, com a ajuda da Guarda Costeira, implementou um plano emergencial para construir barreiras de areia na costa, evitando que o óleo destrua mais áreas do litoral. O custo deve ser de US$ 350 milhões, segundo o governador Bobby Jindal. Ele pressiona para que a empresa British Petroleum (BP), concessionária da plataforma que explodiu, arque com os gastos. Na avaliação dele, o governo federal tem feito pouco para conter o vazamento, que já causou prejuízos para a comunidade pesqueira local.

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