Pablo Martinez/AP
Pablo Martinez/AP

Obama quer que comissão investigue amplamente o vazamento no Golfo

Enquanto isso, cresce a frustração sobre ação do governo, e investidores perdem bilhões nas ações da BP

Priscila Arone, da Agência Estado

01 Junho 2010 | 16h03

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta terça-feira, 1º, que quer que a comissão que ele criou investigue amplamente o catastrófico vazamento de petróleo no Golfo do México.

 

BP inicia arriscada operação para conter vazamento de óleo

 

Enquanto isso, cresce a frustração sobre a resposta do governo americano ao acidente, e investidores amargam perdas de bilhões de dólares em valor de mercado da British Petroleum (BP) por causa do fracasso das medidas para estancar o vazamento realizadas no último final de semana.

 

"Ao fazer esse trabalho, eles têm meu total apoio para seguir os fatos independentemente de para onde eles levem", disse Obama no Jardim Rosado da Casa Branca, ao sair de uma reunião com os co-presidentes da Comissão Nacional sobre o vazamento da plataforma Deepwater Horizon da BP.

 

O presidente americano afirmou que, se a lei foi desrespeitada, a justiça será feita e que o governo federal está monitorando a situação minuto a minuto. Obama disse que a comissão fará um relatório em seis meses sobre as causas do vazamento. A resposta do governo é que mudanças são necessárias nas regulações sobre petróleo para evitar que o desastre se repita.

 

"Somente após isso, nós poderemos ter certeza de que a exploração em águas profundas pode ser feita de forma segura", disse o presidente, após lembrar que ele mesmo ordenou a interrupção de perfurações em águas profundas no Golfo do México nos próximos seis meses, período no qual as investigações da comissão devem estar encerradas.

 

Obama declarou que falou ao presidente do painel para manter audiências sobre o desastre e envolver funcionários da BP, da Halliburton e da Transocean. Anteriormente, ele havia criticado as três empresas por terem incriminado umas às outras durante audiências no Congresso sobre o vazamento.

 

A direção da comissão é formada pelo senador Bob Graham e pelo ex-administrador da Agência de Proteção Ambiental William Reilly. Obama disse que vai nomear outros quatro integrantes para o painel em breve.

 

O presidente americano afirmou que a comissão é necessária para ajudar a compreender o que causou a catástrofe na costa da Louisiana, que já superou o vazamento do navio Exxon Valdez, em 1989, no Alasca.

 

Ações contra o acidente

 

Obama viajou para a Louisiana na última sexta-feira, 28, para analisar o desastre e os esforços de limpeza do governo federal em meio às crescentes críticas de que o governo não está fazendo o suficiente para resolver o problema. O presidente americano declarou, no final de semana, que está indignado com o fato de que o poço continue vazando cerca de meio milhão de galões de petróleo por dia e que as tentativas de estancar o poço continuem fracassando.

 

Uma nova manobra que a BP está realizando nesta terça-feira nunca foi tentada antes em tal profundidade, e Obama advertiu no final de semana que a nova ação será difícil e levará vários dias.

 

A frustração da população americana e do mundo em relação ao desastre parece aumentar diariamente, apesar das declarações do governo e da BP de que as melhores cabeças estão trabalhando para resolver a crise.

 

O governo Obama tem feito uma abordagem dura em relação à BP e, no final de semana, autoridades entraram em confronto com a gigante britânica do setor petrolífero. Funcionários do governo disseram que a última tentativa de interromper o vazamento, que envolve a colocação de uma grande tampa no poço e o redirecionamento do fluxo, poderia aumentar temporariamente o vazamento em 20%, apesar do anúncio da BP de que a ação apresentava riscos pequenos. As informações são da Dow Jones.

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