Keith Srakocic/AP
Keith Srakocic/AP

Obama quer apoio no Senado para revisar a política energética do país

Em discurso na Pensilvânia, presidente americano diz que o país deve investir em energias limpas

Reuters

02 Junho 2010 | 21h10

PITTSBURGH - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu nesta quarta-feira, 2, encontrar apoio no Senado para um projeto de lei que revise a política energética do país e também pediu o fim da isenção de impostos das companhias petrolíferas devido ao derramamento de óleo no Golfo do México.

 

Obama, em discurso na Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh (Pensilvânia), também adiantou que o Relatório de Emprego nos EUA referente ao mês de maio será divulgado nesta sexta-feira e mostrará um forte crescimento na criação de vagas.

 

O presidente havia planejado dedicar seu ano a impulsionar os postos de trabalho nos Estados Unidos, onde o desemprego está em torno de 10%, mas outros temas - reforma do sistema de saúde, alterações na regulação financeira e agora o vazamento de óleo da BP - tiraram o foco de Obama.

 

Obama, que é democrata, acusou os republicanos de ficarem de fora enquanto seu governo trabalhou para recuperar a economia e, com as eleições parlamentares de novembro se aproximando, usou seu discurso para atacar o partido de oposição por recusar iniciativas como a reforma do seguro de saúde e cortes de impostos.

 

Mas o presidente disse que vai pedir apoio dos republicanos para aprovar uma legislação sobre energia no Senado, apesar da forte resistência e da agenda lotada do Legislativo.

 

"Os votos podem não estar lá agora, mas tenho a intenção de encontrá-los nos próximos meses ", disse Obama, referindo-se a um projeto de lei que está perdendo força no Senado. "Vou continuar defendendo um futuro de energia limpa onde e sempre que puder. Vou trabalhar com qualquer um para obter esse feito. E vamos obtê-lo", disse Obama, sob aplausos.

 

Os democratas do Senado devem traçar uma estratégia para lidar com a legislação energética e ambiental nas próximas semanas. Antes dos comentários de Obama nesta quarta-feira, havia pouca evidência se o Senado tomaria alguma medida abrangente este ano.

 

Os republicanos estão reticentes a ajudar Obama a obter uma vitória política em relação à energia antes das eleições e têm focado suas críticas na incapacidade do presidente de reduzir a taxa de desemprego.

 

"É evidente, a partir de sua retórica partidária dura nesta quarta-feira, que o presidente Obama ficou sem desculpas para suas promessas não cumpridas sobre a economia ", disse John Boehner, líder republicano na Câmara dos Representantes, que já passou um projeto de lei sobre energia e alterações climáticas.

 

"Em vez de criar os empregos e a prosperidade que ele prometeu, o presidente Obama baseia-se em mais gastos, mais dívidas, mais esforços para matar políticas públicas e mais empréstimos permanentes (a bancos e outras instituições falidas)", disse Boehner.

 

Reduzindo a isenção de impostos

 

Obama disse que o derramamento de óleo deve levar os americanos a reconhecer que os Estados Unidos não podem depender unicamente de combustíveis fósseis no futuro.

 

Isso significa tocar nas reservas de gás natural do país, aumentar o número de usinas de energia nuclear e reverter "bilhões de dólares em benefícios fiscais a companhias de petróleo para poder priorizar investimentos em pesquisa de energia limpa e desenvolvimento".

 

O presidente americano disse que os Estados Unidos só poderiam prosseguir na perfuração em alto-mar como uma solução a curto prazo para suas necessidades de energia, e que a dependência dos Estados Unidos quanto aos combustíveis fósseis ameaça a segurança nacional, pois coloca a economia e o meio ambiente em risco.

 

O presidente já havia apoiado uma expansão de perfuração em alto-mar como forma de angariar apoio dos republicanos para o projeto de lei sobre energia. "Eu entendo que nós não podemos terminar nossa dependência de combustíveis fósseis durante a noite. É por isso que apoiei um cuidadoso plano de produção de petróleo no mar como parte de nossa estratégia global de energia", disse Obama. "Mas nós devemos buscar essa produção só se for segura, e somente se ela for usada como solução de curto prazo, enquanto fazemos a transição para uma economia de energia limpa", completou.

 

Obama também defendeu um sistema que limitaria as emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa que vêm da indústria, um ingrediente-chave para os Estados Unidos num ainda ilusório acordo global contra as alterações climáticas.

 

"A única maneira para que a transição para energias limpas tenha sucesso é se o setor privado estiver totalmente comprometido com esse futuro - se o capital vier de outros meios e o talento de nossos empresários for expandido", disse Obama. "E a única maneira de fazer isso é finalmente estabelecer um preço sobre a poluição de carbono."

 

Atribuir um preço ao carbono vai depender do movimento do projeto de lei no Senado. O senador democrata John Kerry tem esperado que a Casa debata e vote um projeto de lei no final de junho ou início de julho, deixando tempo suficiente em setembro ou outubro para elaborar um projeto final.

 

Uma análise econômica da Agência de Proteção Ambiental sobre o projeto de lei escrito por Kerry e o senador independente Joseph Lieberman é esperada para junho.

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