Obama anuncia expansão de petróleo offshore nos EUA

Proposta despertou críticas de ambientalistas sobre o risco ambiental da decisão

Reuters

31 Março 2010 | 18h07

O presidente norte-americano Barack Obama anunciou nesta quarta-feira planos para a expansão da exploração de petróleo e gás offshore nos Estados Unidos, em um esforço para ganhar o apoio republicano para as novas propostas para combater as mudanças climáticas.

 

O democrata Obama disse que sua administração vai considerar novas áreas para perfuração no sul do

Atlântico e do Golfo do México, e, ao mesmo tempo, irá "estudar e proteger as áreas sensíveis no Ártico".

 

Alguns republicanos no Congresso consideraram o anúncio um passo na direção certa, mas disseram que Obama poderia ter ido mais longe. Enquanto isso, grupos ambientalistas e alguns parlamentares liberais condenaram o plano como uma ameaça à vida silvestre e às áreas costeiras, uma iniciativa que apenas dará mais lucros para as empresas petrolíferas. 

 

Obama, que necessita de apoio bipartidário para aprovar uma lei que estabeleça limites nas emissões de gases de efeito de estufa nos Estados Unidos, advertiu que a expansão de petróleo offshore não será uma resposta completa aos desafios energéticos americanos. 

 

"A exploração de petróleo por si só não chega perto de satisfazer as nossas necessidades energéticas a longo prazo, e, para o bem do nosso planeta e da nossa independência energética, temos que começar a transição para combustíveis mais limpos agora", disse. "Eu sei que nós podemos nos unir para aprovar uma legislação climática e energética que vai promover a nova energia - de novas indústrias, criar milhões de novos empregos, proteger o nosso planeta, e nos ajudar a nos tornarmos mais energeticamente independentes."

 

Republicanos disseram que o plano de Obama impede os maiores recursos energéticos offshore dos Estados Unidos de serem bem desenvolvidos. "A abertura de áreas ao largo da costa da Virgínia para a produção offshore é um passo positivo, mas manter a costa do Pacífico e o Alasca, bem como os recursos mais promissores ao largo do Golfo do México, à chave não faz qualquer sentido numa altura em que os preços da gasolina estão aumentando e os americanos estão se perguntando: 'Onde estão os empregos?'", disse o líder republicano da Câmara, John Boehner. 

 

Fora dos limites

Líder republicano no Senado, Mitch McConnell acrescentou: "O anúncio de hoje é um passo na direcção certa, mas um passo pequeno que deixa uma enorme quantidade de energia norte-americana fora dos limites". "Drill, baby, drill" (perfure, meu bem, perfure) era um slogan comum nos comícios do senador John McCain, rival presidencial de Obama em 2008. 

 

Por mais de 20 anos, a perfuração foi proibida na maior parte dos poços offshore dos Estados Unidos fora do Golfo do México devido a preocupações de que isso pudesse prejudicar o meio ambiente. O Congresso permitiu que a proibição de perfuração offshore expirasse em 2008, e o ex-presidente George W. Bush suspendeu a moratória da perfuração desse ano.

 

Grupos ambientalistas e alguns parlamentares continuam a suscitar preocupações sobre o impacto que o aumento de perfurações teria em zonas costeiras. A administração vem pesando os prós e contras da perfuração offshore desde que assumiu o cargo e decidiu colocar freios em uma proposta de Bush, que incentivava a perfuração ao longo da costa leste americana e da costa da Califórnia. 

 

Um funcionário do Departamento de Interior disse que o departamento irá conduzir a primeira venda de óleo e gás offshore no Oceano Atlântico em mais de duas décadas, uma venda de locação de 80 quilômetros ao largo da costa da Virgínia. 

 

O projeto de Obama abre para perfuração potencialmente áreas ao largo da costa sudeste, na pendência da aprovação do público e de testes ambientais, mas essas áreas são menos promissoras que as áreas ao largo da Costa Oeste e Nordeste onde a produção foi proibida. 

 

Os ambientalistas, que muitas vezes fazem parte da base política de esquerda de Obama, não ficaram satisfeitos com o plano. "Enquanto a China e a Alemanha estão vencendo a corrida da energia limpa, esses atos perpetuam ainda mais o vício de petróleo dos Estados Unidos. Expansão de perfuração offshore em áreas que tenham sido protegidas durante décadas ameaça nossos oceanos e as comunidades costeiras que dependem deles com derramamento de óleo, poluição e mudanças climáticas ", disse o diretor-executivo do Greenpeace, Phil Radford. 

 

Virginia sob arrendamento

A área de concessão proposta em Virginia pode gerar 130 milhões de barris de petróleo e 1,14 trilhões de pés cúbicos de gás natural, com base em estimativas do Departamento do Interior. Os Estados Unidos consomem cerca de 20 milhões de barris por dia. 

 

Para o novo plano de perfuração offshore entre 2012 e 2017, que será desenvolvido pela administração Obama, o objetivo é a locação de mais áreas no Atlântico, novas áreas no Atlântico sul e ao leste do Golfo do México, fora da Florida, de acordo com um funcionário do Departamento do Interior. A perfuração também seria permitida na costa do Golfo da Flórida, mas fora dos 201 quilômetros do litoral do estado, como as leis atuais exigem. 

 

O arrendamento para exploração das novas áreas offshore depende de aprovação do público e da prova de que a perfuração não irá prejudicar o meio ambiente. A proposta de arrendamento para exploração de petróleo e gás no Alasca pela Bristol Bay será cancelado por causa da preocupação em proteger as áreas

sensíveis da plataforma continental externa dos riscos ambientais. Isso pode afetar empresas como a Royal Dutch Shell, que manifestou interesse na região, bem como a ConocoPhillips, a BP e a Statoil. 

 

Quatro vendas pendentes de locação no mar de Chukchi e de Beaufort, no norte do Alasca, serão canceladas, e as áreas reservadas para futuras pesquisas científicas para determinar se são adequadas para posterior locação. Ao mesmo tempo, a venda de locação previamente agendada para a Cook Inlet no Alasca vai continuar.

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