6/06/2017 JF DIORIO/ESTADÃO
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O que é preciso para formar um catarata?

Supunha-se que as quedas só poderiam surgir com grandes forças naturais. Há uma nova teoria

Clifford Krauss, THE NEW YORK TIMES

17 de abril de 2019 | 03h00

As cataratas são quedas d’água violentas, que às vezes modificam as paisagens por onde escorrem, desobedecendo às exigências da gravidade. Da resplandecente Skógafoss, na Islândia, à família de cataratas de Milford Sound, na Nova Zelândia, elas costumam provocar aplausos enquanto espetáculos aquáticos do mundo natural.

Há muito tempo, supõe-se que as quedas d’água só podem se formar quando outras forças naturais permitem. O movimento tectônico que desloca a rocha ao seu redor, as alterações do nível do mar, a mudança de uma rocha resistente para outra mais facilmente corroída pela erosão são maneiras pelas quais forças naturais influenciariam, ao que se acredita, o local em que as cataratas se formam.

Só que cataratas talvez não precisem de eventos importantes como movimentos tectônicos, como anteriormente se pensava. Construindo um rio em escala reduzida em seu laboratório, alguns cientistas demonstraram agora que às vezes elas podem existir sem nenhuma ajuda externa. 

Os cientistas “muitas vezes usam a presença de cataratas para tentar reconstruir a história de uma paisagem”, disse Edwin Baynes, um geomorfologista da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, que não participou do estudo. 

A pesquisa. Graças a uma melhor compreensão do processo de sua formação, o novo estudo poderá levar os cientistas a reconsiderarem como o nosso planeta se formou, favorecendo um exame no tempo geológico com uma maior precisão. Para investigar como as cataratas se formam, os pesquisadores construíram um canal de 8 metros de comprimento, 30 centímetros de largura e 1 metro de profundidade no California Institute of Technology. 

Eles o encheram com um leito espumoso de rocha, e deixaram a água rica em sedimentos fluir até a superfície. Usando um leito fluvial feito de espuma e não de rocha real, a equipe pôde observar milênios de erosão revelando-se de modo mais rápido. O fluxo turbulento do “rio” escorrendo por uma encosta muito inclinada começou a cavar em algumas partes do leito do rio. 

Mas ele o fez de maneira desigual: alguns bolsões se desgastaram mais rapidamente do que outros, e a erosão foi aumentando à medida que o rio continuou fluindo velozmente. Sem que agentes externos provocassem mudança nos sedimentos, na taxa do fluxo, no formato do canal inferior ou em outras coisas, formou-se um profundo bolsão de erosão - que fez com que o rio saltasse da parte superior do leito e esguichasse mais distante. E assim, sem nenhuma interferência, formou-se uma catarata.

Paisagens

A pesquisa poderá contribuir para a nossa compreensão das paisagens da Terra. Ao atribuir incorretamente a formação das cataratas a forças externas, talvez os cientistas estejam “se baseando em sinais climáticos ou tectônicos errôneos”, avaliou Kate Leary, geomorfologista fluvial da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara. “Criar uma maneira de distinguir as cataratas que se formam por conta própria das que são causadas por forças externas seria muito benéfico para desemaranhar estes sinais em paisagens tectonicamente ativas", afirmou. 

‘Quadro complicado’. Os resultados desses experimentos sugerem que as seções íngremes de cursos de água rio acima nas montanhas do mundo todo talvez possam mostrar a criação de cataratas. Joel Scheingross, professor da Universidade de Nevada e principal autor do estudo, disse que aparentemente a gênese das cataratas “é um quadro mais complicado do que se acreditava originalmente". /TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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