Conteúdo Estadão Blue Studio

O potencial da sustentabilidade

À revelia da regulamentação do mercado nacional de carbono, cresce a demanda por iniciativas voluntárias de redução de emissões

Estadão Blue Studio, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2022 | 08h00

O Brasil está atrasado na regulamentação do mercado nacional de carbono. Existe um projeto de lei bem estruturado no Congresso, mas que não é colocado em discussão. Dessa forma, as empresas interessadas em implementar ações de redução de emissões de gases de efeito estufa precisam recorrer aos mecanismos voluntários, seja em setores como o florestal ou de resíduos sólidos.

A demanda, principalmente na esteira da COP-26, em Glasgow, está alta, como atesta o termômetro representado pelas atividades cotidianas de algumas empresas, como é o caso da Carbonext, fundada em 2010. O principal objetivo do grupo é desenvolver projetos que contribuam para frear e reverter o desmatamento na região amazônica.    

Os três projetos que a engenheira florestal Janaína Dallan e uma equipe de três técnicos cuidavam no início de 2020 se transformaram, hoje, em 20, envolvendo 60 profissionais. “Nossos projetos englobam 2 milhões de hectares da floresta, que geram cerca de 5 milhões de toneladas de créditos de carbono ao ano”, ela descreve. Mantido o ritmo de expansão, esses números podem dobrar até o fim do ano. Foi preciso resiliência para chegar até aqui, contudo, quando Janaína começou a atuar na área, o valor do crédito de carbono ficava abaixo de um dólar. Agora, chega a US$ 15.

Duplo benefício

Um dos princípios da Carbonext é devolver à floresta 70% da renda gerada pelos projetos. Esses valores são aplicados em iniciativas de benefício e desenvolvimento das populações locais, com foco na preservação da biodiversidade do bioma amazônico.

Expansão semelhante tem sido experimentada pela Orizon Valorização de Resíduos, que, desde 2013, já adquiriu 13 aterros sanitários em diversas regiões do Brasil, transformando-os em ecoparques – conceito que abrange não apenas a destinação correta dos resíduos, mas a transformação dos resíduos em receita. Além do reaproveitamento dos materiais recicláveis, a tecnologia utilizada pela empresa permite a produção de biometano, com o duplo benefício de gerar energia limpa e evitar que o gás produzido pela decomposição dos materiais chegue à atmosfera. Com isso, a empresa gerou 1,7 milhão de toneladas de crédito de carbono no ano passado.

“Há um enorme potencial de crescimento do nosso negócio, já que mais de 40% dos resíduos gerados pela população brasileira ainda são enviados para lixões, o que contamina a atmosfera, a água e provoca doenças”, diz o CEO, Milton Pilão. Hoje, a empresa já cuida do que é descartado por cerca de 20 milhões de brasileiros, o que evita que 2,1 milhões de toneladas de gás carbônico sejam lançadas na atmosfera por ano, benefício equivalente à retirada de um milhão de carros das ruas ou à plantação de quase 20 milhões de árvores.

Com novas aquisições e projetos de licenciamento de aterros próprios, a empresa pretende dobrar o número de brasileiros atendidos em seus projetos até o fim do ano. Pilão foi à COP-26 com a missão de divulgar o trabalho da Orizon entre investidores internacionais e defender a valorização dos créditos de carbono oriundos dos aterros sanitários – que, por enquanto, são comercializados a preços inferiores aos florestais. “Não faz sentido essa diferenciação, já que, na prática, os resultados para o meio ambiente são os mesmos.”

 

Caderno Especial Brasil Verde - Carbono Zero

Conteúdo produzido pelo estadão blue studio, a área de conteúdo customizado do estadão

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.