Cristina Mittermeier/Divulgação
Cristina Mittermeier/Divulgação

O Indiana Jones da conservação

Presidente da ONG Conservation International, Russell Mittermeier assina a descoberta de 12 espécies

Fernanda Fava, especial para O Estado

04 Junho 2010 | 22h48

Se juntarmos todos os exemplares sobreviventes das 25 espécies de primata mais ameaçadas de extinção do mundo, não lotaremos nem um Maracanã”, alerta, em bom português, o americano Russell Mittermeier, de 60 anos, presidente da ONG Conservation International. Apesar do tom grave, Russ – como é conhecido esse morador do Bronx, em Nova York, eleito pela revista Time um dos 50 heróis ambientais do planeta em 1998 –, é um sujeito bem-humorado. “O Brasil é meu país preferido”, afirma o pesquisador, fã de guaraná que já desfilou quatro vezes em escolas de samba do Rio.

 

Russ conhece 135 países. Foi o primeiro a descrever seis espécies de macacos amazônicos, duas de lêmures em Madagáscar, duas tartarugas brasileiras e uma em Papua-Nova Guiné. Está concluindo pesquisas sobre mais um animal, o que elevará para 12 o número de descrições científicas pioneiras que levam sua assinatura. Seu principal alvo de estudo são primatas. “Hoje você já tem a genética para estudar o bicho e não só a morfologia, como há 20 anos. Mas uma coisa não mudou: você tem que andar muito no meio da mata.”

 

Russ fez exatamente isso depois de se graduar em Biologia, em 1971, pelo Dartmouth College. Participou por três meses de uma expedição pelo Amazonas com um barco da Universidade de São Paulo, em busca dos uacaris, macacos mencionados por exploradores europeus do século 19. “Peguei uma voadeira e saí pelos afluentes do rio perguntando aos caboclos: ‘Você já viu um uacari por aqui?’ Fiz isso até conseguir achá-los.”

 

Como outros colegas, Russ percebeu que precisava aliar o trabalho de biólogo ao de conservacionista. “Evolui para biopolítico”, brinca. Em 1977, virou presidente do grupo de experts em primatas da União Internacional pela Conservação da Natureza. Sua principal luta é impedir a destruição de ecossistemas, a maior ameaça à sobrevivência de primatas e de outros animais.

 

Para Russ, o Brasil é um dos países mais promissores em termos de conservação, principalmente pela criação de reservas na Região Norte. “Nas primeiras edições da lista dos 25 primatas mais ameaçados do mundo, em 2001, constavam várias espécies brasileiras, como o muriqui. Este ano, pela primeira vez, resolvemos retirá-las da lista. Em outros países há espécies que precisam de mais atenção.”

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