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O impacto do ESG nas empresas é muito baixo

Para o investidor, o caminho sustentável permite ganhos perenes, indicam pesquisas sobre o tema

Especial ESG, Media Lab Estadão
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30 de outubro de 2020 | 05h00

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Se o principal objetivo é a proteção do patrimônio e a perenidade dos ganhos, sem pensar no curtíssimo prazo, investir em empresas que adotam práticas ESG é um excelente caminho
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Reitor de pós-graduação da Fundação Álvares Penteado (Fecap), primeira escola de negócios do País, o professor Alexandre Garcia concluiu recentemente o doutorado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Na tese, ele analisou as políticas de ESG de mais de 2.300 empresas, no Brasil e no mundo.

“As práticas e o nível de engajamento são muito díspares entre as empresas, os setores econômicos e as nações”, observa Garcia. “Nos países emergentes, como o Brasil, ainda é muito baixo o impacto que o desempenho nas métricas ESG tem para as finanças das empresas. Nos países desenvolvidos, esse impacto já é bem maior.”

O professor se interessou pelo tema por causa da própria trajetória profissional. Contador por formação, ele atuou em duas grandes corporações – General Motors, de veículos, e Philip Morris, de cigarros –, cujos produtos têm grande impacto na humanidade. 

Como a ideia de sustentabilidade evoluiu no ambiente corporativo, até chegarmos ao conceito de ESG?

O grande estopim ocorreu na década de 1970. Houve um pronunciamento marcante de um dos grandes influenciadores dos líderes das corporações, Milton Friedman, que afirmou que a responsabilidade social das empresas deveria ser buscar o lucro máximo. Essa afirmação evidenciava um grande desequilíbrio, em que a atuação das empresas era vista somente pelo fator econômico.

Desde então, a sociedade passou gradualmente a exigir respostas não apenas dos governos, mas também das empresas. Esse entendimento fez a sigla ESG entrar na agenda de muitos líderes de empresas e também de investidores preocupados não apenas com a acumulação de riqueza, mas também com o fomento de um ambiente justo e saudável. Os princípios de ESG são um caminho para estabelecer maior equilíbrio entre os detentores do capital e todas as demais partes que se relacionam com as empresas.

Como convencer investidores de que empresas com bons indicadores de ESG são boas escolhas, mesmo que o retorno financeiro momentâneo ainda não esteja entre os melhores?

Sempre digo aos investidores que, se o principal objetivo é a proteção do patrimônio e a perenidade dos ganhos, sem pensar no curtíssimo prazo, investir em empresas que adotam práticas ESG é um excelente caminho.

É um bom investimento porque já foi provado em vários estudos, acadêmicos ou realizados por consultorias e instituições financeiras, que as empresas com práticas sólidas de ESG acabam tendo menos volatilidade no preço das ações. Além de outros ganhos, como reputação, fidelização de clientes e retenção de funcionários.

O que diferencia uma empresa com boas práticas em ESG?

É preciso ter em mente, em primeiro lugar, que ESG vai muito além de produtos sustentáveis. Basta lembrar que a sigla tem as letras S, de social, e G, de governança. É uma visão mais sistêmica – aplicada não apenas aos produtos, mas aos processos e, principalmente, à postura. Não adianta nada ter um produto sustentável, do ponto de vista ambiental, se a empresa paga propina a políticos, por exemplo.

É lógico que empresas novas, recém-constituídas, já partem com o mindset de seus líderes e colaboradores ajustado para o cenário da sustentabilidade e do menor impacto socioambiental. Já as corporações tradicionais vão precisar de mais esforços, mais investimentos, mais educação, mais treinamento para seus líderes, colaboradores e toda a cadeia de produção para tornar suas operações mais sustentáveis.

Como separar as empresas que estão levando o tema a sério daquelas que praticam o chamado greenwashing, a falsa adesão ou a adesão superficial aos preceitos de sustentabilidade?

A melhor solução para uma empresa demonstrar a seriedade de suas políticas é a transparência das informações, por meio da divulgação ampla e irrestrita.

Os relatórios corporativos estão passando por melhorias, mas é um processo demorado. Infelizmente, hoje, a maioria das empresas se limita a relatar os aspectos financeiros, que são obrigatórios. Aspectos ligados a ESG são, na maioria, de divulgação voluntária.

Seria bom que os órgãos reguladores tornassem obrigatória a divulgação das informações do chamado Relato Integrado, que está em audiência pública, mas com a perspectiva de ser facultativo.


 

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