Nilson Coelho/Agência Petrobras
Nilson Coelho/Agência Petrobras

Número de pinguins encontrados no litoral brasileiro aumenta 20% em 2021

Foram monitorados 4.741 animais somente em Santa Catarina, além de outros 1.028 no Paraná e 869 em São Paulo

Patricia Krieger, especial para o Estadão

23 de dezembro de 2021 | 15h00

Mais de 6.700 mil pinguins da espécie Magalhães foram registrados na costa brasileira durante a temporada de migração neste ano, conforme relatório divulgado pelos Projetos de Monitoramentos de Praias (PMPs), mantidos pela Petrobras. A quantidade é 20% maior do que no ano passado, quando foram registrados 5.657 pinguins no mesmo período, entre junho e novembro.

Os pinguins de Magalhães vivem em colônias na parte costeira da Argentina, Chile e Ilhas Malvinas e durante o inverno migram para a costa do oceano Atlântico, principalmente no sul do Brasil, para buscar alimentos em temperaturas mais amenas. O aumento populacional registrado este ano indica que as águas da costa brasileira estão mais convidativas, o que faz com que o crescimento de animais mortos ou adoecidos não seja considerado um sinal extremo de alerta.

"Já registramos variações parecidas em outros anos, portanto não consideramos esse aumento em si algo preocupante. Precisamos analisar esses dados em conjunto com outros estudos por um maior período de tempo para tirarmos conclusões", explica o biólogo Henrique Chupil, coordenador do trecho 7 do PMP-BS.

Em 2018, por exemplo, o total contabilizado foi de 12.230. O número é de animais encontrados mortos ou adoecidos, que são encaminhados para análise da causa da morte ou para atendimento. Neste caso, os animais costumam permanecer cerca de três meses em tratamento até serem soltos novamente no mar.

A principal causa dos "encalhes" é a falta de experiência desses animais, em sua maioria filhotes, em acompanhar o bando ao longo da migração. E esse é um motivo considerado natural, pois eles acabam ficando debilitados ao se perderem do grupo e são trazidos pelas correntes marítimas até a beira das praias.

"Os principais fatores que fazem os pinguins chegarem à costa é por estarem debilitados, seja por falta de alimentos em alto mar ou por hipotermia, o que os torna mais vulneráveis às causas de morte relacionadas às ações do homem, como ingerir plásticos, poluição ou ficar presos em redes de pesca, e por isso chegam mortos e já muito debilitados", conclui Chupil.

Maior parte é vista nas praias de Santa Catarina

Desde que o projeto de monitoramento foi criado para análise de toda extensão do litoral brasileiro, em 2009, o maior número de registros de pinguins ocorre nas praias de Santa Catarina. Neste ano, foram monitorados 4.741 pinguins somente no Estado, além de outros 1.028 no Paraná e 869 em São Paulo

O trabalho de resgate e cuidado dos animais é feito em parceria com diversas ONGs, que orientam a população local sobre como agir quando encontram os animais nas praias. "O primeiro atendimento que fazemos geralmente é a estabilização da temperatura, pois a principal causa da morte é hipotermia", explica a bióloga Suélen dos Santos, presidente da ONG Educamar, que atua nas praias do litoral sul de Santa Catarina. Segundo ela, muitas vezes a recuperação é dificultada pela distância do centro de tratamento de onde o animal foi encontrado.

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