Novo foco de incêndio surge na Chapada Diamantina

Segundo administração do parque, outros dois maiores focos já estão controlados

da Redação,

14 Novembro 2008 | 16h57

Embora os dois maiores focos de incêndio ao norte e sul de Mucugê, na Chapada Diamantina, já tenham sido controlados, nesta sexta-feira, 14, surgiu um novo foco nas proximidades do rio Garapa, na cidade de Andaraí. A administração do parque disse que essa ocorrência é preocupante, uma vez que a área é de muito difícil acesso.    Veja também:   Pancada de chuva ameniza fogo na Chapada Diamantina Governo estadual garante ter controle na Chapada Diamantina Ministério envia 30 homens para combater fogo na Bahia Só chuva salva Chapada Diamantina do fogo, diz gestor Incêndio já atingiu metade do Parque da Chapada Diamantina   A administração informou que há cerca de 80 bombeiros trabalhando, mas nenhum deles no novo foco. Todos os esforços estão direcionados para garantir que o fogo não retorne nas áreas mais críticas.   As pancadas de chuva que caem desde terça-feira na região da Chapada Diamantina, apesar de fracas, continuam ajudando a diminuir a avanço dos focos de incêndio que, desde julho, castigam a região.   De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente (Sema), apenas o fato de a umidade relativa do ar subir na área já é suficiente para ajudar no combate às chamas. "Em condições 'normais', o combate aos focos é bastante eficaz e rápido", afirma o diretor de Unidades de Conservação da Sema, Plínio Neto. Semana passada, a umidade relativa do ar chegou a níveis comparáveis a desertos, entre 10% e 12%, facilitando a propagação do fogo na vegetação seca.   De acordo com o diretor, focos que atingiam áreas de intenso fluxo turístico, como o Morro do Chapéu, já foram controlados e não há mais focos resistentes no entorno do Parque Nacional da Chapada Diamantina, uma área de 5 milhões de hectares.   Dentro do parque, porém, o combate aos incêndios que consumiram mais da metade da área continua difícil, apesar da melhora nas condições climáticas e dos trabalhos de cerca de 500 pessoas, entre elas 350 brigadistas voluntários. A expectativa é de chuvas mais fortes na região apenas a partir da próxima quinta-feira.   O parque da Chapada Diamantina já teve metade de seus 152 mil hectares queimados desde que os incêndios começaram. "É provável que nunca mais recuperemos o que foi destruído pelo fogo este ano", lamenta o gestor do parque, Cezar Gonçalves, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio). "Temo que algumas espécies de aves, que estavam em período de reprodução, por exemplo, sejam seriamente afetadas. Há risco de extinção." Na área, vivem cerca de 370 espécies de aves.   O secretário Matos, porém, não acredita nessa possibilidade. "Com certeza vamos recuperar tudo o que foi destruído", garante. "Temos tecnologia e conhecimento suficientes para isso. O que vamos fazer é transformar a chapada em prioridade nos programas estaduais já desenvolvidos na área de reflorestamento, direcionando mais recursos à região."   A preocupação dos empresários na cidade é, principalmente, relacionada com a alta estação - que tem início em um mês. Nas agências de turismo receptivo, que realizam excursões pelo parque, a queda na procura por passeios já chega a 70%. "Tem gente que nem aparece nos passeios reservados ao ficar sabendo da situação", diz o empresário João Robalo Neto. "Cancelamos alguns roteiros, mas ainda há alguns trechos preservados e passeios sendo realizados. O problema é que o fogo está avançando."   O secretário estadual de Turismo, Domingos Leonelli, porém, não acredita que o incêndio faça diminuir o fluxo turístico na área - cerca de 100 mil visitantes por ano. "Estamos criando compensações para equilibrar isso (a queda do turismo pelo impacto dos incêndios)", acredita. "Fui autorizado pelo governador a promover uma grande festa de réveillon em Lençóis, por exemplo". Só haveria festas do gênero em Salvador, Porto Seguro e Ilhéus.   (Com Tiago Décimo, de O Estado de S. Paulo)   Atualizada às 19h43 para acréscimo de informações

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