Alister Doyle/Reuters
Alister Doyle/Reuters

Novo estudo confirma que metas deixam o mundo no rumo dos 3°C

12 gigatoneladas de CO2- equivalente serão emitidas ainda a mais do que necessário para manter a temperatura abaixo dos 2°C

Giovana Girardi, O Estado de S. Paulo

06 Novembro 2015 | 07h59

SÃO PAULO - Com um nível de emissões de gases de efeito estufa da ordem de 52,7 gigatoneladas de gases de efeito estufa em 2014, o mundo teria de reduzi-las a pelo menos 42 gigatoneladas nos próximos 15 anos para impedir que a temperatura média do planeta suba a mais de 2°C até o final do século. Mas as propostas que os países apresentaram de redução de suas emissões de gases até 2030, mesmo se forem completamente cumpridas, farão com que o planeta esteja emitindo ainda mais naquele ano - algo em torno de 54 gigatoneladas de CO2-equivalente. Esse "gap" (lacuna) de 12 gigatoneladas pode fazer a temperatura ficar entre um pouco menos de 3°C a até 3,5°C até 2100.

Essas suas as principais conclusões de um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) que avalia as chamadas INDCs - um pacote de medidas que a maioria dos países do mundo apresentou dizendo quanto conseguiria fazer, a partir de 2020 até 2030, para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. São contribuições nacionais para o acordo que deve ser fechado no final do ano na Conferência do Clima de Paris.

A nova análise foi feita pelo Pnuma (programa da ONU para o Meio Ambiente). Já há alguns anos eles lançam, às vésperas das conferências do clima, o chamado Gap Report, que compara quanto conjuntamente os países estão fazendo para combater o aquecimento global com quanto eles deveriam fazer para conter o aumento da temperatura a até 2°C - limite considerado mais seguro pela ciência.

O estudo analisou 119 INDCs, de 145 países (a da União Europeia é única para todos os países do bloco), que foram apresentadas à ONU até 1º de outubro. Sem elas, diz o estudo, as emissões seriam entre 4 e 6 gigatoneladas mais altas, se for levada em conta somente as políticas atuais. Ou seja, elas apresentam alguma redução, mas ainda muito distante do que seria considerado o ideal.

Concordando com o tom adotado na semana passada pela Convenção do Clima da ONU (UNFCCC), que também lançou seu relatório analisando as metas, o Pnuma destaca que as ações trazem um sinal sem precedentes de comprometimento dos países com um acordo, a ser adotado em Paris, para que todo o mundo reduza suas emissões, mas é preciso ações rápidas, já nos próximos anos, para aumentar essa ambição.

O relatório propõe que isso poderia acontecer já antes de 2020. Até lá, as nações mais ricas, menos os Estados Unidos, Canadá e Japão, ainda atuam dentro do Protocolo de Kyoto. Muitos dos demais países trabalham dentro de metas voluntárias que tinham sido propostas em 2010, em Cancun. O acordo de Paris só valerá a partir de 2020, mas para o Pnuma, as nações poderiam começar a agir com mais ambição desde antes disso para diminuir o "gap". 

Outra proposta é ter um mecanismo dentro do acordo de Paris para que as metas sejam revistas para cima periodicamente, a cada cinco anos, como também propôs a UNFCCC na semana passada.

"As INDCs deste relatório sinalizam um avanço em termos de esforços internacionais para dobrar a curva de emissões futuras", diz Achim Steiner, diretor executivo do Pnuma. "Apesar de sozinhas não serem suficientes para limitar que a temperatura global fique nos recomendados 2°C até o final do século, representam um passo histórico em direção à descarbonização de nossas economias", afirma. "No entanto, para fechar essa lacuna, é essencial que o acordo de Paris adote uma dinâmica na qual a ambição, a mobilização de finanças e outras formas de cooperação possam ser ajustadas para cima em intervalos regulares", defende Steiner.

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