Nove candidatos assinam plataforma cidades sustentáveis em São Paulo

Objetivo do Movimento Nossa São Paulo e da Rede Cidades Sustentáveis é inclusão da sustentabilidade na agenda política das eleições 2010

Karina Ninni, estadao.com.br

21 Julho 2010 | 19h05

Lançada nesta quarta-feira no Teatro do Sesc Consolação, a Plataforma Cidades Sustentáveis reuniu ambientalistas, planejadores, intelectuais e candidatos ao governo do Estado de São Paulo e ao Senado Federal (por São Paulo) para discutir a inclusão da sustentabilidade na agenda política das eleições 2010. A plataforma é uma iniciativa do Movimento Nossa São Paulo em conjunto com a Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis.

 

O comprometimento dos candidatos presentes - entre eles Romeu Tuma (candidato à reeleição no Senado pelo PTB), Aloizio Mercadante (candidato do PT ao governo do Estado de São Paulo)e Ricardo Young (candidato do PV ao Senado)foi selado pela assinatura de uma carta compromisso em que constam itens como governança, gestão local para a sustentabilidade, bens comuns naturais, consumo responsável e planejamento urbano - entre outros temas. Além deles, mais seis candidatos já assinaram a Plataforma: Geraldo Alckmin (candidato ao governo do estado pelo PSDB), Marta Suplicy (candidata ao Senado Federal pelo PT), Paulo Skaf (que concorre ao governo do estado pelo PSB), Paulo Bufalo (candidato ao governo pelo PSOL), Aloísio Nunes Ferreira (candidato ao Senado pelo PSDB) e Rogério Menezes (candidato a vice governador pelo PV, representando Fábio Feldman).

 

"Qualquer porposta de desenvolvimento sustentável tem de passar antes pelo desenvolvimento político, pelo planejamento e pela gestão", resume Maurício Broinizi Pereira, coordenador executivo do Movimento Nossa São Paulo, que lançou a plataforma. Junto com a carta, foram expostas 73 iniciativas de boas práticas ambientais em vários continentes do globo, reunidas em uma publicação distribuída a candidatos e ao público presente. "A ideia era ilustrar a carta com exemplos do mundo todo - e não só dos países desenvolvidos - e provar para  os candidatos que o que eles estavam assinando era um documento perfeitamente factível, algo possível de ser implementado e realizado", diz Pereira.

 

"Esta iniciativa é puro bom-senso. Temos de batalhar de maneira organizada para que a administração das cidades brasileiras seja  planejada adequadamente. Eu, que graças ao governo militar viajei muito, conheci muitas experiências. Do capitalismo sueco à burocracia russa. Um sueco participa, em média, de quatro organizações sociais civis durante toda sua vida", disse Ladislau Dowbor,  arrancando aplausos da plateia que lotava completamente o Teatro Anchieta.

 

Agenda política

 

"A sustentabilidade é um processo que nós estamos construindo progressiva e politicamente. Mas é acima de tudo uma disputa política que estará  posta daqui em diante. Essa agenda já está colocada. Não há mais discussão acadêmica ou científica sobre o caráter antropogênico do processo  de alteração climática que estamos vivendo, por exemplo", disse Aloizio Mercadante. Para ele, o primeiro desafio de São Paulo é a matriz energética.

 

"Nós consumimos muito mais do que produzimos. Mas temos um grande potencial de geração de energia alternativa, por exemplo, com a queima do bagaço da cana", lembrou.

 

Inspirada na Carta de Aalborg (cidade dinamarquesa), que teve 2.700 municípios signatários, a Carta Compromisso adaptada pelo Movimento Nossa São Paulo à realidade brasileira ser´q enviada para todos os municípios do Brasil e para todos os candidatos via e-mail. "Vamos dispará-la para todo mundo", disse Pereira.

 

Romeu Tuma afirmou que o documento é excelente e que vai ler a carta no plenário do Senado.

 

"O importante é que a questão esteja na agenda. Isso já era para ter acontecido, desde a Eco 92. O Brasil demorou demais", concluiu Pereira.

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