Nova comissão analisa vazamento de e-mails sobre aquecimento global

O pesquisador Michael E. Mann está às voltas com a acusação de ter minado a fé pública na ciência do clima

The New York Times

04 Fevereiro 2010 | 13h06

Uma comissão acadêmica de inquérito apurou longamente a acusação de má conduta feita a um climatologista da Universidade do Estado de Pensilvânia, mas será convocado um segundo júri para determinar o quanto o comportamento do pesquisador minou a fé pública na ciência da mudança climática, comunicou a Universidade.

 

 O cientista, Dr. Michael E. Mann, esteve no centro de uma disputa que surgiu com a divulgação não-autorizada de mais de mil mensagens de e-mails de funcionários da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, sede de uma das primeiras unidades de pesquisa climática do mundo.

 

O inquérito da Universidade de Pensilvânia, conduzido por três membros eméritos e administradores da instituição, absolveu o pesquisador das acusações mais sérias contra ele, mas não parece ser o suficiente para calar a controvérsia sobre a ciência do clima.

 

Surgiram novos questionamentos sobre o trabalho do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, do qual Mann era colaborador, desde que as mensagens foram espalhadas, em novembro passado.

 

A comissão da faculdade alegou, ao anunciar seus resultados, não ter se debruçado sobre a ciência do clima que, segundo a nota divulgada, “é um problema que deve ser deixado para os profissionais do setor”.

 

Mann foi mencionado em 377 e-mails, incluindo alguns em que as críticas sugerem que ele havia manipulado ou destruído dados para fortalecer sua tese de que a atividade humana estava realmente mudando o clima.

 

Na mensagem mais conhecida, ele se refere a um “truque” (trick, em inglês) em um gráfico produzido uma década atrás, mostrando mil anos de temperatura estável na superfície da Terra seguidos de uma curva ascendente acentuada no século 20, aparentemente correspondendo a um aumento nos níveis de dióxido de carbono na atmosfera. O gráfico, chamado de “bastão de hockey”, tornou-se um ícone para os ambientalistas. E foi um fator que influenciou um relatório da ONU de 2001 concluindo que os gases de efeito estufa provavelmente era os responsáveis pela maior parte do aquecimento que vem sendo observado desde 1950.

 

Em algumas mensagens, Mann se refere a um conjunto de dados de diferentes fontes como um truque. ''Os críticos se centraram no uso do termo e disseram que era uma evidência de que ele e outros cientistas haviam manipulado os dados para chegar às conclusões que queriam. Mas a comissão de inquérito disse que o termo “trick” era usado pelos cientistas e matemáticos para se referir a um “insight”, uma habilidade que permite a resolução de um problema.

 

As mensagens também continham sugestões de que Mann teria escondido ou destruído mensagens de e-mails e outras informações relativas a um relatório sobre mudanças climáticas para evitar que outros cientistas o questionassem.  Foi o próprio pesquisador quem produziu o material em questão (os e-mails), mas a Universidade da Pensilvânia o inocentou das acusações.

 

“Três das quarto acusações foram indeferidas. Ainda que não haja evidência para consubstanciar a quarta alegação, a administração da Universidade achou melhor convocar um comitê separado, formado por vários cientistas,  para resolver qualquer questão remanescente  sobre procedimentos acadêmicos” ele escreveu, e completou: “ Era isso que eu esperava, é a “vingança” que eu queria, já que não fiz nada de errado”.

 

O senador republicano James M. Inhofe, um cético do clima, requisitou uma investigação independente. “Precisamos assegurar aos americanos que seus impostos estão financiando objetivos científicos e não agendas políticas”, disse ele.

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