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Oceana/Divulgação
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No mundo, um caminhão de plástico é lançado no mar por minuto

Dados consolidados pela Oceana mostram que, em 2018, foram produzidas globalmente 359 milhões de toneladas de plástico, um aumento de 3,2% em relação ao ano anterior

André Borges, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2020 | 11h00

BRASÍLIA - Dono de uma costa marítima com 10.959 quilômetros de extensão, o Brasil dá uma ajuda considerável para amplificar o problema mundial do tratamento do plástico. A checagem dos tipos de materiais recolhidos em praias brasileiras mostra que 70% dos fragmentos são de plásticos, principalmente embalagens.

Hoje, ao menos 8 milhões de toneladas de plástico vão parar nos oceanos em todo o mundo. Isso equivale a um caminhão de lixo por minuto. É como se, a cada dia, 1.440 caminhões abarrotados de plástico fossem até a beira das praias mundo afora e despejassem uma montanha desse material nos oceanos.

Os dados consolidados pela Oceana mostram que, em 2018, foram produzidas globalmente 359 milhões de toneladas de plástico, um aumento de 3,2% em relação ao ano anterior. A China respondeu sozinha por 30% desse volume. A América Latina contribuiu com 4% do total. Não bastasse o fato de a produção aumentar, a maior parte desses itens não é reutilizada. Hoje, no mundo, apenas 9% de todo o resíduo plástico é reciclado.

“Sem mudanças imediatas na maneira como a sociedade está submetida ao uso do plástico descartável, a quantidade desse resíduo que entra no ambiente marinho triplicará nos próximos 20 anos, causando ainda mais danos ambientais, sociais e econômicos”, diz o diretor-geral da Oceana, Ademilson Zamboni.

As estimativas dão conta de que, desde o início da produção industrial dos primeiros polímeros, nos idos de 1907, até o ano de 2017, foram produzidas cerca de 9,2 bilhões de toneladas de plástico. Mais da metade desse volume, no entanto, foi produzido nos últimos 20 anos. As expectativas mais otimistas dão conta de que pelo menos 5 bilhões de toneladas de resíduos de plástico estão acumuladas. Muito desse material foi parar nos oceanos.

“Infelizmente, a reciclagem não acompanha o volume e a velocidade de produção de plástico descartável no País. O que agrava esse cenário é o fato de que esse processo não tem como alvo grande parte dos produtos descartáveis como canudos, talheres, pratos, copos e vasilhas para transporte de refeições”, diz a cientista marinha Lara Iwanicki.

No Brasil, das 2,95 milhões de toneladas de plásticos de uso único produzidas todo ano, 87% correspondem à categoria de embalagens em geral. Os demais 13% são produtos descartáveis como pratos, talheres, copos, sacolas plásticas e canudos. O descaso com a destinação desse material está refletido no mar.

A projeção é de que existem, pelo menos, 5 trilhões de pedaços de plásticos nos mares. A maior parte desse material está dispersa e é formada por pedaços pequenos demais (até um milímetro) para serem coletados por limpezas de praia ou em alto-mar. Como é biodegradável, leva centenas de anos para se decompor. Esse número tende a aumentar, uma vez que mais plástico continua a ser produzido. Mantido o ritmo atual, haverá 33 bilhões de toneladas de plástico em todo o planeta até 2050.

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