Nível do oceano se elevará mais rapidamente que previsto--estudo

O nível do mar aumentará mais rapidamente do que o esperado neste século, em parte devido à aceleração das alterações climáticas no Ártico e ao derretimento do gelo na Groenlândia, afirmou um estudo divulgado nesta terça-feira.

ALISTER DOYLE, REUTERS

03 Maio 2011 | 16h38

A elevação representa uma ameaça ainda maior para regiões litorâneas ao redor do planeta e também aumentaria o custo da construção de barreiras de tsunami no Japão, por exemplo.

Temperaturas recordes no Ártico também contribuirão para o aumento do nível dos oceanos em até 1,6 metro em 2100, segundo relatório do Programa de Monitoramento e Avaliação do Ártico em Oslo (PMAAO), que é apoiado pelos oito países do Conselho do Ártico.

"Os últimos seis anos (até 2010) foram o período mais quente já registrado no Ártico", disse o relatório.

"No futuro, em nível mundial, o mar deve subir de 0,9 metro a 1,6 metro em 2100, e a perda de gelo das geleiras e calotas polares do Ártico e da camada de gelo da Groenlândia representarão uma contribuição substancial", acrescentou.

Os aumentos foram projetados a partir de 1990.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês) informou em seu último grande estudo, em 2007, que o nível dos mares eram susceptíveis de aumentar entre 18 e 59 centímetros até 2100. Esses números não incluíam uma possível aceleração do degelo nas regiões polares.

Ministros das Relações Exteriores das nações do Conselho do Ártico -- Estados Unidos, Rússia, Canadá, Suécia, Finlândia, Dinamarca, Noruega e Islândia -- devem se reunir na Groenlândia em 12 de maio.

"O aumento da temperatura média anual, desde 1980, é o dobro no Ártico em comparação com resto do mundo", disse o estudo. As temperaturas agora estão mais elevadas do que a qualquer momento nos últimos 2.000 anos, segundo o estudo.

PREOCUPANTE

O IPCC afirmou ainda que é pelo menos 90 por cento provável que as emissões humanas de gases do efeito estufa, principalmente a queima de combustíveis fósseis, sejam responsáveis pela maior parte do aquecimento nas últimas décadas.

"É preocupante que a ciência mais recente indique uma elevação do nível do mar muito mais alta do que esperávamos", disse à Reuters a Comissária do Clima da União europeia, Connie Hedegaard.

"O estudo é mais uma evidência de como o combate às alterações climáticas se tornou urgente, embora esta urgência nem sempre fique evidente no debate público e no ritmo das negociações internacionais", disse.

As negociações da ONU para um pacto global de combate às alterações climáticas vêm tendo um progresso lento. A ONU diz que promessas nacionais para limitar as emissões de gases de efeito estufa são insuficientes para evitar mudanças perigosas, como inundações ou ondas de calor.

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