Negociações sobre caça à baleia não chegam a acordo

Existe uma moratória na caça comercial de baleias, mas o Japão continua a matar os cetáceos

REUTERS,

24 Junho 2009 | 18h43

A Comissão Baleeira Internacional (CBI) não conseguiu chegar a um acordo entre os países que defendem e que condenam a caça às baleias nesta quarta-feira, 24, em um sério golpe para a credibilidade da agência como órgão regulador.

 

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Em vez de apresentar um acordo, os delegados à CBI concordaram em prorrogar o prazo para que se chegue a um acerto em um ano. A comissão tenta unir os pontos de vista de nações como a Austrália, que se opõem à matança de baleias, e de países que têm tradição na atividade, como Japão e Noruega.

 

"A CBI está numa encruzilhada, enfrentando discordâncias fundamentais quanto a sua natureza e objetivo", disse o órgão internacional, numa referência ao fracasso das conversações.

 

Uma moratória na caça comercial de baleias foi firmada em 1986, mas o Japão continua a matar os cetáceos, sob a alegação de que faz pesquisa científica, enquanto que Islândia e Noruega simplesmente ignoram a determinação e matam baleias para fins comerciais.

 

O Japão disse que a falta de acordo poderá levar à extinção da CBI.

 

"Essencialmente, o que estamos contemplando é que se isto não for resolvido, você está vislumbrando o colapso total da CBI", disse um porta-voz da delegação japonesa. ele disse que a Austrália, um importante opositor da caça, "não trouxe proposta nenhuma, e tudo o que fez foi marcar posição".

 

O ministro australiano do Meio Ambiente, Peter Garrett, diz que as conversações sobre o futuro da CBI não poderão prolongar-se indefinidamente, e não descartou a possibilidade de ações jurídicas contra os países caçadores.

 

Também nesta quarta-feira, a Noruega anunciou que está encerrando sua temporada de caça às baleias mais cedo que o esperado, porque o que o país já capturou satisfaz suas necessidades comerciais. Os baleeiros noruegueses caçam baleias minke dentro de um rígido sistema de cotas.

 

Opositores da caça dizem que o encerramento da temporada mostra que o consumo de carne de baleia e o apoio popular à indústria estão caindo. "A tendência continuada de queda de demanda traz a esperança de que a indústria, que ainda tem peso político,  desapareça" disse Truls Gulowsen, do Greenpeace Noruega.

Já Bjoern Bendiksen, presidente do sindicato dos baleeiros, disse que paradas temporárias na caça são "muito normais", e afirmou que as fábricas que processam a carne foram atingidas pela crise financeira mundial, não por queda de demanda.

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