Heribert Proepper/AP - 14/12/2009
Heribert Proepper/AP - 14/12/2009

Negociações na COP-15 são suspensas por protesto de africanos

Segundo diplomata brasileiro, grupo dos países em desenvolvimento também abandonou as discussões na cúpula

Reuters, AP e Dow Jones,

14 Dezembro 2009 | 10h00

As sessões principais das negociações sobre o clima, promovidas pela ONU, em Copenhague foram suspensas nesta segunda-feira, 14, devido a um protesto liderado por países africanos que acusam os países ricos de tentar acabar com o Protocolo de Kyoto.

 

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O presidente do grupo africano, o delegado argelino Kamel Djemouai, denunciou a tentativa de tratar de maneira separada e misturada elementos que fazem parte de duas vias distintas de negociação, o de Kyoto e o da convenção da ONU.

"Se aceitarmos essa situação, assinaremos a morte de Kioto, o único documento legalmente vinculativo existente. O próximo tratado deverá ser ratificado e até que entre em vigor, passarão mais do que os sete anos que o de Kyoto", disse Djemouai em entrevista coletiva.

Djemouai anunciou que o grupo africano não seguirá participando das sessões plenárias se o Protocolo de Kyoto ficar de fora e propôs que sejam organizados dois plenos com consultas informais, o primeiro sobre Kioto, e quando finalize este, daí, sim, poderão ser tratados os temas restantes da convenção.

 

As coletivas de imprensa das delegações dos EUA e da China, os dois países mais poluentes do planeta, previstas para esta segunda-feira foram canceladas em cima da hora, sem explicações sobre os motivos da decisão. A reunião diária da União Europeia (UE) com a imprensa também foi adiada sem justificativa.

 

G-77 também deixa negociações

 

O Grupo dos 77 (G-77), que representa países em desenvolvimento e grandes economias emergentes como Brasil, Índia e China, deixou as negociações climáticas das Nações Unidas, em Copenhague, nesta segunda-feira, informou um diplomata brasileiro.

 

O grupo saiu do principal grupo de discussão acusando as nações industrializadas de tentarem matar o Protocolo de Kyoto, que obriga os países ricos - sem incluir os EUA e os países em desenvolvimento - a cortar as emissões de gases de efeito estufa, disse uma pessoa com conhecimento das negociações.

 

As discussões oficiais foram suspensas enquanto uma reunião informal tentava resolver o problema.

Mais cedo, fontes disseram à agência AFP que o movimento de nações em desenvolvimento saindo dos grupos de trabalho da conferência foi iniciado pelos países africanos, que tiveram o suporte do G-77.

 

Os países se recusaram a continuar com as negociações a não ser que as conversas sobre um segundo período de compromisso com o Protocolo de Kyoto tivessem prioridade sobre discussões mais amplas de uma "visão de longo prazo" para uma ação cooperativa sobre as mudanças climáticas, disseram as fontes da AFP.

 

"A África puxou o cordão de emergência para evitar uma colisão no final da semana", disse Jeremy Hobbs, diretor-executivo da Oxfam International, referindo-se a um fórum na sexta-feira que terá a presença de cerca de 120 chefes de Estado. "Os países pobres querem ver um resultado que garante fortes reduções de emissão, mas os países ricos estão tentando adiar as discussões sobre o único mecanismo que temos para isso - o Protocolo de Kyoto."

 

(Atualizada às 12h47)

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