Negociações de Bali sobre clima avançam apesar de desavenças

As negociações buscam uma forma de ampliar os compromissos de Kyoto para todos os países depois de 2012

GERARD WYNN, REUTERS

04 de dezembro de 2007 | 12h26

Uma conferência sobre o clima, que está sendo realizada em Bali e da qual participam 190 países, avançou alguns passos na terça-feira rumo a um novo acordo de combate ao aquecimento global a ser selado em 2009, apesar de desavenças sobre o tamanho do corte nas emissões de gases do efeito estufa a ser adotado por China e Índia. Yvo de Boer, principal autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) para as questões climáticas, elogiou o encontro com 10 mil participantes, e que ocorre até o próximo dia 14, pelo fato de ter avançado em direção à meta de lançar negociações formais sobre um pacto de longo prazo capaz de suceder o Protocolo de Kyoto. "Mas, nesse processo, como em tantos outros, o diabo está nos detalhes", advertiu, em uma entrevista concedida à Reuters em um centro de conferências da ilha indonésia. Os governos dos países participantes criaram um "grupo especial" encarregado de avaliar as opções disponíveis para as negociações que devem atrelar de forma mais rígida os EUA e países em desenvolvimento como China e Índia à luta contra o aquecimento global para além de Kyoto. O encontro também concordou em estudar formas de intensificar a transferência de tecnologias limpas, tais como os painéis solares ou as turbinas de vento, para os países em desenvolvimento. O Protocolo de Kyoto obriga hoje 36 países ricos a diminuírem suas emissões de gases do efeito estufa, advindos principalmente da queima de combustíveis fósseis. Esses países devem, até 2008-2012, cortar as emissões para 5 por cento abaixo dos níveis de 1990. A ação pretende evitar a elevação do nível dos mares e a intensificação das secas, enchentes e ondas de calor, que seriam decorrentes do aquecimento. Mas houve desavenças sobre como dividir o fardo para além de Kyoto. E ambientalistas acusaram países signatários do protocolo, como Japão e Canadá, de esperarem algo excessivo de China e Índia. "O Canadá e o Japão não estão falando nada sobre reduções com força de lei para si próprios depois de 2012", disse Steven Guilbeault, do grupo ambientalista Equiterre. "Eles tentam transferir o fardo para a China e a Índia." As negociações de Bali buscam uma forma de ampliar os compromissos de Kyoto para todos os países depois de 2012. Dos cinco maiores emissores do mundo, apenas a Rússia e o Japão adotaram as metas de redução previstas pelo protocolo. Os EUA não assinaram o pacto. Já a China e a Índia não estão obrigadas a cortar suas emissões. De Boer observou ainda que as negociações não deviam centrar-se exclusivamente no plano para lançar novas negociações. "Há um risco de que os países, ansiosos para ver as negociações serem iniciadas, excedam-se e concentrem-se apenas nisso", disse. Os países em desenvolvimento preocupam-se com a possibilidade de questões mais imediatas --como a ajuda de que precisam para enfrentar enchentes, secas e a elevação do nível dos mares-- serem "esquecidas em meio à empolgação relativa ao futuro", afirmou. Do lado de fora do centro de conferências de Bali, na terça-feira, um grupo de ambientalistas deu uma irônica aula de natação aos delegados, afirmando que a elevação do nível dos oceanos poderia fazer desaparecer ilhas tropicais como Bali caso não sejam adotadas medidas rapidamente. (Reportagem adicional de Alister Doyle, David Fogarty e Adhityani Arga, em Bali)

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