Negociação para Copenhague está lenta, diz presidente da CE

Jose Manuel Durão Barroso acredita que quadro pode se alterar com participação de Obama

Alexandre Calais, de O Estado de S. Paulo,

02 Outubro 2009 | 18h23

As negociações em relação a um acordo global sobre o tema das mudanças climáticas vêm abancando em um ritmo muito lento, na avaliação do presidente da Comissão Europeia - o braço executivo da UE -, Jose Manuel Durão Barroso. Mas ele acredita que esse quadro pode se alterar um pouco agora que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assumiu um compromisso pessoal de dar prioridade ao tema, de forma a apresentar na Reunião de Copenhague - que será realizada em dezembro para discutir o tema - uma proposta concreta do país em relação à redução da emissão de gases poluentes.

 

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Para Barroso, há alguns sinais positivos nesse sentido que vêm sendo dados por líderes mundiais importantes. "O presidente da China disse em Nova York, na assembleia da ONU, que o país iria fazer um significativo corte no consumo de energia. Não anunciou ainda um número concreto, mas disse isso. O novo ministro japonês, oito dias depois de ter tomado posse, também disse nas Nações Unidas que o Japão vai tentar reduzir em 25% a emissão de gases, o que é um objetivo muito ambicioso. E esses são sinais positivos."

 

Por outro lado, segundo ele, ainda há muitos sinais negativos vindo das grandes potências. "Em relação aos EUA, por exemplo, foi aprovada uma legislação que vai numa direção boa na Câmara dos Representantes, mas que não sabemos se vai ser aprovada antes de Copenhague. E parece problemático que não seja. O que quer dizer é que será difícil que alguns países, que são neste momento dos mais importantes em termos de emissão de gases de efeito estufa, aceitem objetivos vinculativos em Copenhague. E isso torna a reunião pouco ambiciosa."

 

Segundo Barroso, a União Europeia tem hoje a política mais avançada do mundo em termos de mudanças climáticas. "Temos a lei que obriga a União Europeia, no ano 2020 a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 20% em comparação com 1990 e irmos a 30% se outras economias desenvolvidas fizerem um esforço comparável. E também nos comprometemos a ter 20% de energias renováveis no mesmo ano."

 

Ele também elogiou a posição do Brasil nesse campo. "Preciso saudar o esforço do Brasil. Os objetivos muito ambiciosos que o País anunciou na luta contra o desmatamento, que são de fato importantíssimos, porque sabemos o efeito do desmatamento em termos de emissão de gases de efeito estufa." Para ele, o Brasil tem um papel primordial nessas discussões. "Eu conheço bem o envolvimento do presidente Lula e do Brasil neste domínio e, portanto, eu espero que o Brasil nos ajude a encontrar uma posição ambiciosa em Copenhague."

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