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Não se pode separar economia e ecologia, diz Jeffrey Sachs

Economista afirma que planeta segue 'trajetória totalmente insustentável e profundamente perigosa'

BBC Brasil, BBC

16 Setembro 2009 | 10h06

O renomado economista americano Jeffrey Sachs, professor da universidade americana de Columbia, afirmou nesta quarta-feira, 16, que o planeta está em uma "trajetória totalmente insustentável e profundamente perigosa" e que não é mais possível separar economia e ecologia.

 

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"Não podemos mais pôr economia e ecologia em categorias separadas. Elas nunca estiveram em categorias separadas", afirmou Sachs, que presta consultoria a vários governos, durante uma conferência em Genebra, na Suíça.

Na palestra, promovida pela agência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad), Sachs criticou o formato do atual processo de negociações sobre mudança climática.

Para ele, em vez de diplomatas, engenheiros e cientistas deveriam sentar-se à mesa para discutir.

"O problema das mudanças climáticas não é uma negociação de comércio. É simplesmente o problema mais complexo de engenharia, economia e social que a Humanidade jamais enfrentou", afirmou o estudioso.

A pouco mais de dois meses do início da conferência de Copenhague que deve criar uma política de combate ao aquecimento global para o mundo a partir de 2012, o economista não poupou críticas às negociações - atualmente paradas em impasses.

'Bobagem'

"A questão sobre uma meta nacional ser obrigatória ou não é uma das questões menos interessantes. De que adianta ser obrigatória se você não é capaz de cumpri-la? É bobagem. Deveríamos estar discutindo o que podemos fazer, não o que obrigatório, o que podemos fazer agora, em cinco, dez anos."

O economista fez um apelo por um esforço coordenado de especialistas para que se saiba o que pode ser feito para permitir desenvolvimento econômico e melhoria das condições de vida de milhões miseráveis, ao mesmo tempo em que se enfrenta problemas ambientais já "insustentáveis ressaltados pelas mudanças climáticas".

Para abordar um problema tão complexo, em vez de discutir metas de emissões, Jeffrey Sachs afirma que a convenção da ONU para mudanças climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês) deveria criar um corpo técnico que analisaria opções e custos para ações de curto prazo em cada país.

Em sua palestra, Sachs sugeriu uma nova parceria pública-privada para criar os grandes sistemas técnicos necessários.

"Podemos alcançar um crescimento econômico com impacto muito menor se pensarmos claramente, sistematicamente, em termos de sistemas, e baseados em objetivos globais."

O economista americano criticou a falta de sustentabilidade não só na área de meio ambiente. Para ele o mundo atual é "socialmente insustentável".

"A distância entre os ricos e os pobres está aumentando. Muitas das pessoas mais miseráveis do planeta estão morrendo por causa de sua pobreza, e se não morrem, sofrem e ficam cada vez mais para trás."

Jeffrey Sachs concluiu que a mensagem da comunidade científica é de que o mundo está à beira de um futuro quadro potencialmente catastrófico,

"Mais cedo ou mais tarde, cientistas vão nos dizer que essa área é inabitável."

O economista afirmou ainda que então será "tarde demais", porque mesmo que as emissões sejam cortadas a zero, o atual acúmulo de gases na atmosfera terá efeito durante um longo tempo.

"Estamos vivendo apenas a metade daquilo que já provocamos", concluiu.

 

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