'Não existe plano B porque não há planeta B', afirma presidente do IPCC em Copenhague

Rajendra Pachauri está otimista em relação a acordo entre os 190 países na Conferência sobre Mudança Climática no próximo ano

Denise Chrispim Marin, Enviada especial

02 Novembro 2014 | 10h16

O presidente do Painel Internacional de Mudança Climática (IPCC), Rajendra Pachauri, afirmou não haver outra saída aos governos senão adotar medidas de mitigação e de adaptação para evitar o aquecimento da terra superior a 2 graus C no final do século. "Não existe plano B porque não há planeta B", declarou durante entrevista coletiva à imprensa. "A comunidade científica falou (nos relatóriosdo IPCC). Agora passo o bastão aos governos."

Pachauri mostrou-se otimista em relação a um acordo entre os 190 países em Paris, em 2015, durante a Conferência das Partes sobre mudança Climática (COP21).A seu lado, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, lembrou que a tentativa de um acordo em 2009, na COP de Copenhague, falhou porque os líderes estavam concentrados na questão urgente da crise financeira mundial. Em setembro passado, em Nova York, os líderes reunidos na Cúpula da Mudança Climática mostraram-se compromissados a alcançar um acordo em 2015, completou.

"Mesmo que as emissões de gases do efeito estufa acabem agora, ainda vamos continuar a sentir os efeitos da mudança climática. Precisamos agir de forma imediata e decisiva", afirmou Ban. "A inação vai custar muito mais do que a ação. Precisamos construir um futuro mais sustentável. Temos de agarrar esta oportunidade", completou.

Segundo o secretário-geral da organização Mundial de Meteorologia, Michel Jarraud, o nível de confiança nas projeções científicas é maior agora do que em 2009. O que antes estava projetado agora tem fundamentos em valores. "Ninguém mais pode alegar ignorância", disse.

Pachauri alertou para o fato de a "janela" para o mundo agir estar se fechando. O custo da mitigação, nos cálculos do IPCC, deve atingir de 1,6% a 3,0% do Produto Interno Bruto (PIB), em média. Mas, quanto mais atrasar o início das medidas de mitigação, mais caras elas ficarão. Começar agora significa reduzir emissões. Deixar para mais tarde significará ter emissões negativa, que exigirá tecnologias como a do enterramento dos gases e mais esforços em reflorestamento.

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