‘Não é sustentável permitir que a cidade se espalhe ainda mais’

Arquiteto britânico especialista em urbanismo sustentável reuniu-se com a prefeitura de São Paulo para discutir ações para a cidade

Andrea Vialli, O Estado de S. Paulo

08 de setembro de 2010 | 14h11

O arquiteto e urbanista Brandon Haw, sócio do escritório de arquitetura britânico Foster Partners, trabalha atualmente em um projeto ambicioso: a construção da cidade Masdar City, nos Emirados Árabes. O empreendimento quer ser a primeira cidade sustentável do mundo e um polo de pesquisas em tecnologias limpas. A conclusão do projeto, que teve início em 2007, está prevista para o ano de 2018.

 

Em visita a São Paulo, Haw reuniu-se com a prefeitura para discutir ações para tornar a cidade mais sustentável no futuro. Ele será um dos palestrantes do Fórum Urbanístico Internacional, que vai ser realizado pelo Secovi-SP no dia 21 deste mês.

 

O que tornará Masdar City a cidade mais sustentável?

 

Haverá muitos atributos, pois a escala do projeto nos permitirá trazer tudo, habitação, transporte, infraestrutura, energia, água, para uma escala mais sustentável. E não estamos falando apenas de tecnologia. A base para o planejamento de Masdar são as comunidades tradicionais do deserto e sua relação com o ambiente. As construções serão orientadas conforme sua posição em relação ao sol, por exemplo. Masdar será desenhada para reduzir significativamente a demanda por energia, que será fornecida apenas por fontes renováveis, especialmente solar fotovoltaica. Mas a cidade será flexível o suficiente para incorporar as novas tecnologias emergentes.

 

O que uma metrópole como São Paulo precisa fazer para se tornar mais sustentável? É possível reorganizar a cidade para atender a essas questões?

 

O futuro de metrópoles como São Paulo claramente está em aumentar a densidade de suas áreas centrais. Com 11 milhões de habitantes, o investimento em infraestrutura é fundamental para que se ofereça maior mobilidade a seus habitantes. Não é mais sustentável, economicamente, socialmente ou ambientalmente, permitir que a cidade se espalhe ainda mais.

 

Uma opção é revitalizar bairros que já existem?

 

A revitalização de áreas centrais, a exemplo do que já ocorre na Nova Luz e na Mooca/Vila Carioca, é uma oportunidade e tanto para criar bairros vibrantes. Isso não se limita aos edifícios. É preciso rever a hierarquia das ruas e dos espaços abertos, criar usos múltiplos para os bairros, de modo que eles se tornem bons lugares para se morar e para trabalhar, com boa estrutura de transportes públicos. Há várias iniciativas de sucesso. Londres está revitalizando bairros inteiros para receber as Olimpíadas de 2012.

 

A tendência de selos para construções verdes pode ser indutora de cidades mais sustentáveis?

 

Métodos voluntários de construção verde como Leed e Breeam têm sido úteis em estabelecer padrões ambientais para as construções. Mas o grande papel indutor cabe à legislação. Na União Europeia, todas as novas moradias terão de ser neutras em carbono até 2016.

 

 

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