Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Não basta dar uma meta para cortar emissões sem dizer como chegar a ela; leia análise

O governo Bolsonaro teve pelo menos dez meses para discutir com a sociedade civil, a ciência e os atores sociais envolvidos na questão climática, mas não o fez

Mercedes Maria da Cunha Bustamante*, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2021 | 18h26

Não basta dizer que vai reduzir as emissões pela metade: é pela metade de quanto? Qual é a base desse número? Ficam questões em aberto que não são respondidas com o anúncio feito nesta segunda (pela gestão Jair Bolsonaro, em vídeo transmitido em um dos pavilhões da COP-26, de cortar em 50% as emissões de gases de efeito estufa até 2030). Não sabemos que ações serão tomadas pela redução, nem quando elas começarão a ser realizadas. Não sabemos quem vai monitorar e fiscalizar essas ações.

Para apresentar um plano de redução dessa magnitude, num evento mundial como a COP, o governo Bolsonaro teve pelo menos dez meses para discutir com a sociedade civil, a ciência e os atores sociais envolvidos na questão climática, mas não o fez. Não houve transparência, como não houve no ano passado, quando as metas do Acordo de Paris foram revisadas com novos cálculos.  Essa 'metade' pode significar um benefício climático muito baixo.

Parece que o governo quis só dar uma resposta à pressão internacional e não resolver a questão climática de verdade. Não basta colocar um número e pronto. A gente precisa ver as trajetórias que fizeram chegar nesse número, as etapas e a responsabilidade que o País assume agora.

*É  pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB). Durante quatro anos, de 2011 a 2014, integrou o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU.

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