Nações ricas terão problemas em cumprir metas de carbono--EUA

Os países ricos como um todo dificilmente cumprirão até 2020 os cortes profundos nas suas emissões de gases do efeito estufa reivindicados pelas nações em desenvolvimento, disse uma autoridade norte-americana na sexta-feira.

ALISTER DOYLE, REUTERS

29 Maio 2009 | 20h44

China, Índia e outros países em desenvolvimento dizem que os países ricos precisam assumir a maior parte da luta contra o aquecimento global, de modo a estimular os países emergentes a também adotarem medidas mais incisivas, como parte de um novo tratado climático da ONU a ser concluído em dezembro em Copenhague.

"Temos estado engajados em conversas com nossos amigos europeus a respeito de como expressar um tipo agregado de meta", disse por telefone a jornalistas o enviado especial dos EUA para a mudança climática, Todd Stern, antes de uma nova rodada de discussões em Bonn, entre os dias 1o e 12 de junho.

"Não acho que você verá um número agregado de 25 a 40 por cento (de redução em relação às emissões de 1990)", disse ele. "É possível quando se soma tudo que não se esteja tão longe disso", ressalvou.

Em 2007, o Painel Climático da ONU recomendou o corte de 25 a 40 por cento para os países ricos até 2020, como forma de evitar os piores efeitos do aquecimento global.

A França sugeriu nesta semana que os países desenvolvidos como um todo resolvam uma maneira de reduzir suas emissões em 25 a 40 por cento. Washington diz que não tem como seguir esse número.

Mas China, Índia e outros argumentam que os países ricos se beneficiaram do uso de combustíveis fósseis desde a revolução industrial, e por isso seria justo que em 2020 emitissem 40 por cento menos do que em 1990. Já os países pobres, alegam eles, precisam continuar ampliando seu uso energético para combater a pobreza.

Na semana passada, uma comissão parlamentar dos EUA aprovou um plano para reduzir as emissões norte-americanas até 2020 para 17 por cento abaixo dos níveis de 2005, e para 83 por cento abaixo até 2050.

As emissões norte-americanas subiram fortemente nos últimos anos, de modo que essa meta para 2020 representa uma redução de apenas 4 por cento em relação a 1990. Nesta semana, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, cobrou mais empenho dos EUA.

A União Europeia promete que até 2020 reduzirá suas emissões para 20 por cento abaixo do nível de 1990, podendo chegar a 30 por cento se outros países ricos seguirem seu exemplo.

As emissões na UE caíram desde 1990, de modo que, em relação a 2005, as metas europeias variam de 14 a 24 por cento. Stern disse que isso torna os planos da UE comparáveis aos dos

EUA.

Ele afirmou ainda que a China, que superou os EUA como maior emissor de carbono nos últimos anos, e outros países em desenvolvimento precisam ampliar suas ações. "Eles vão precisar fazer mais."

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