Na prorrogação, reunião do clima corre contra o tempo para fechar acordo

Discordância entre países levou a segunda versão de texto; plenária ainda deve discuti-lo.

Eric Brücher Camara, BBC

10 Dezembro 2011 | 11h10

A segunda noite em claro de negociadores reunidos em Durban, na África do Sul, para a reunião de mudanças climáticas das Nações Unidas (COP-17) ainda não rendeu o esperado: um acordo entre 194 países para a continuação do Protocolo de Kyoto e o corte de emissões globais de gases do efeito estufa a partir de 2020.

Diante do enorme atraso nos procedimentos, alguns países, como o Japão, já retiraram os seus ministros de campo, após orientarem os negociadores-chefes de suas delegações para continuar as discussões.

Neste sábado, a segunda versão do texto final foi liberada às delegações com cerca de quatro horas de atraso, prontamente criticada por organizações não-governamentais.

"É fraco, Há muito pouco texto que garanta o que precisamos: redução de emissões e financiamento para países mais pobres", afirmou à BBC Brasil Samantha Smith, representante do WWF para a iniciativa de Clima e Energia.

Embora as negociações continuassem, já no fim da manhã a delegação brasileira aguardava o resultado final. Para o Brasil, um possível acordo deve sair apenas no início da noite de sábado.

No entanto, ainda há dúvidas se alguns dos principais emissores - Estados Unidos, Índia e China - aceitarão o texto final, que segundo negociadores brasileiros deve incluir o prazo de 2020 para o início de um novo período de cortes de emissões.

Linguagem vaga

O tom otimista adotado por representantes do Brasil e da União Europeia, que na quinta-feira, se diziam esperançosos por fechar um pacote que incluiria a continuação do Protocolo de Kyoto e o caminho para um novo acordo global - parece não ter se concretizado.

Entre os problemas a serem resolvidos estão, além do prazo pós-2020 - considerado distante demais pelos países-ilha, pela União Europeia e outros, a ausência de clareza sobre a situação legal do acordo e a proposta sobre a segunda etapa de Kyoto também teriam desagradado.

A linguagem vaga sobre o valor legal do documento, entretanto, pode ser a única forma de fazer com que os Estados Unidos o aprovem.

Sem respaldo doméstico para negociar um tratado climático e às vésperas de eleições presidenciais, qualquer compromisso legal mais firme possivelmente teria um fim semelhante ao do Protocolo de Kyoto, aprovado pelos Estados Unidos internacionalmente, mas nunca ratificado domesticamente.

Como a reunião de Durban já está na prorrogação desde as 18h de sexta-feira, a pressão do tempo dificulta ainda mais o aparo de arestas.

A UE, autora do projeto que vinha sendo considerado viável como saída para o encontro de Durban, estaria irritada com o prazo de 2020.

Isso, por sua vez, ameaça a continuidade do Protocolo de Kyoto, uma vez que a Europa deve ficar praticamente só entre os países desenvolvidos no acordo: os Estados Unidos nunca participaram, e Canadá, Japão e Rússia não devem entrar na segunda fase.

O impasse aconteceu porque sem a participação da Europa, o acordo de Kyoto fica praticamente inviabilizado, fazendo com que o grupo BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China) dificilmente se comprometa com qualquer meta obrigatória, por mais futura que seja. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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