Municípios pedirão mais prazo para fim de lixões

Lei de 2010 determina que a partir deste sábado, dia 2 de agosto, os aterros sanitários sejam utilizados para depósito de resíduos

Elder Ogliari, O Estado de S. Paulo

28 Julho 2014 | 19h27

PORTO ALEGRE - Grande parte das prefeituras brasileiras não vai eliminar os lixões e depositar os resíduos em aterros sanitários a partir de 2 de agosto deste ano, conforme exige a Lei 12.305/2010, que estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A constatação é de uma pesquisa feita pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e apresentada nesta segunda-feira,28, em Porto Alegre. Nem mesmo as etapas anteriores à dos aterros sanitários, como elaboração de planos de gestão integrada para a área, fechamento dos lixões, recuperação ambiental, implantação da coleta seletiva e compostagem, estão completas. 

Dos 2.479 municípios com até 300 mil habitantes consultados, 1.280 (51,6%) possuem Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, 807 (32,5%) confirmam que encaminham os resíduos produzidos por seus moradores para lixões e, destes, 498 (61,7%) reconhecem que não conseguirão cumprir o prazo estabelecido pela legislação.

Diante da situação, a CNM está mobilizada para convencer o Congresso Nacional a mudar a data limite para a adequação à exigência e obter mais apoio do governo federal. O presidente da entidade, Paulo Ziulkoski, destaca que a legislação criou uma despesa total estimada em R$ 70 bilhões sem indicar fontes de receita suficientes para a cobertura dos gastos. Afirma, ainda, que o governo federal costuma propagandear que há recursos para financiar quem apresentar planos, mas, na prática, limita as liberações.

Segundo a CNM, das 577 propostas apresentadas pelos municípios ao Ministério do Meio Ambiente entre 2011 e 2013, somente 96 se transformaram em contratos e, destes, apenas oito estão em execução, totalizando R$ 6,1 milhões. "Diante disso os prefeitos deixam de acreditar", observou. "Eles correm., gastam com viagens e diárias e depois é tudo contingenciado".

Para gestores e municípios que não cumprirem as exigências legais as sanções previstas vão de multas de R$ 5 mil a R$ 50 milhões, perda de direitos políticos pelo período de três a cinco anos e reclusão pelo período de um a cinco anos.

MP. Apesar de revelar que a situação angustia os prefeitos, Ziulkoski acredita que a prorrogação será aprovada na votação da Medida Provisória 649, que deve entrar na pauta do Congresso na próxima semana. "Se não for agora, logo depois da eleição a proposta vai passar", prevê, convicto de que tanto o governo federal quanto o parlamento sabem que os municípios não podem cumprir a exigência.

Ele não estima, no entanto, qual seria o novo prazo, porque isso dependeria de variáveis que não passam só pelo financiamento, mas também pela necessidade de formar um corpo técnico para atender a demanda de projetos. "Se não for assim, em três ou quatro anos todos os prefeitos serão ficha suja", prevê, referindo-se à impossibilidade de fazer o investimento no prazo estabelecido atualmente.

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