Mudanças demográficas afetarão o clima, dizem especialistas

O mundo provavelmente estará bem mais lotado até 2100, e as mudanças demográficas dessa população -- quantos indivíduos a mais, com que idade e vivendo onde -- irão afetar as emissões de gases do efeito estufa, disseram pesquisadores na segunda-feira.

DEBORAH ZABARENKO, REUTERS

11 Outubro 2010 | 20h14

Desacelerar o crescimento populacional é algo que poderia ter um profundo efeito nas emissões de poluentes pelo uso de combustíveis fósseis, o que é um fator importante para o aquecimento global, mas só isso não evitará os impactos mais graves da mudança climática, segundo o estudo.

Há muito tempo os cientistas correlacionam o crescimento populacional às emissões de gases do efeito estufa, mas até agora eles não haviam estudado os efeitos das mudanças demográficas que devem acompanhar o aumento populacional.

A tendência para este século é que a população envelheça e se urbanize, e que se concentre em grupos menores -- em vez das grandes famílias --, conforme o estudo de pesquisadores de EUA, Alemanha e Áustria, publicado na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

Os pesquisadores consideraram três cenários: numa continuação da atual tendência, o mundo ganharia 2 bilhões de habitantes até 2050; com um crescimento mais lento, a população mundial aumentaria em 1 bilhão de pessoas; se o ritmo se acelerar, podem ser 3 bilhões de indivíduos adicionais, ou seja, a população mundial saltaria de 6 para 9 bilhões.

Um crescimento mais lento poderia reduzir as emissões em 16 a 29 por cento do total necessário para evitar que a temperatura global tenha um aumento catastrófico, segundo os cientistas. O envelhecimento populacional -- com a consequente redução da mão de obra -- poderia reduzir as emissões em até 20 por cento em alguns países industrializados.

Grosso modo, mais gente significa mais uso de combustíveis fósseis, e mais emissões de gases do efeito estufa. Mas quem vive em áreas rurais nos países industrializados usa mais biomassa como combustível, em vez de combustíveis fósseis (como carvão e petróleo), segundo Brian O'Neill, do Centro Nacional para a Pesquisa Atmosférica dos EUA, um dos autores do estudo.

Por isso, a urbanização da população deve elevar também o uso de combustíveis fósseis, especialmente nos países em desenvolvimento. Mesmo que a população urbana reduza sua "pegada" de carbono -- vivendo em espaços menores, usando mais o transporte público e menos combustível fóssil por pessoa --, o êxodo rural deve causar uma elevação nas emissões de gases do efeito estufa.

Outro efeito da urbanização é que os trabalhadores das cidades tendem a contribuir mais com o crescimento econômico do que os rurais.

"Isso não é porque eles trabalhem com mais empenho ou mais horas", disse O'Neill por telefone. "É porque eles estão em setores econômicos que geram mais crescimento econômico."

Como resultado, a economia de um país inteiro cresce com a urbanização, e a demanda por energia também cresce, puxando consigo as emissões em até 25 por cento no caso de alguns países em desenvolvimento.

Segundo O'Neill, a urbanização deve causar uma maior demanda energética especialmente na Ásia.

"Acho possível ... que estejamos subestimando as potenciais taxas de crescimento na demanda energética em regiões do mundo que podem se urbanizar muito rapidamente nos próximos 20 a 30 anos."

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