Mudança climática pode sobrecarregar forças dos EUA, diz estudo

O setor de inteligência dos EstadosUnidos acredita que os resultados das mudanças climáticas parao planeta nos próximos 20 anos vão aumentar a instabilidade nomundo e podem trazer mais sobrecarga para as forças militaresnorte-americanas, de acordo com um relatório entregue aoCongresso nesta quarta-feira. Mudanças climáticas podem impulsionar migrações e aumentaras disputas pela água na África subsaariana, no Oriente Médio eno centro e sudeste da Ásia, diz o relatório. O estudo fez umaavaliação das implicações das mudanças climáticas em questõesde segurança por volta de 2030. O setor de inteligência apresentou um quadro misto dosperigos. O relatório afirma ser improvável que as mudançasclimáticas sozinhas desencadeiem a derrocada de qualquer país,mas previu o agravamento da pobreza, tensões sociais,degradação ambiental e enfraquecimento das instituiçõespolíticas. "À medida que as mudanças climáticas produzem maissituações de emergência humanitária, a capacidade da comunidadeinternacional de responder a elas estará cada vez maisdifícil", disse o vice-diretor de análises no setor deinteligência nacional, Thomas Fingar, ao descrever asconclusões para dois comitês da Câmara dos Deputados. Ele disse que os Estados Unidos, em particular, serãorequisitados para atender a essas demandas. Essas respostas às crises humanitárias podem "sobrecarregarsignificativamente as estruturas das forças de transporte eapoio militar dos EUA, resultando em um esforço excessivo paraa prontidão das tropas e redução da profundidade da estratégiapara as operações de combate", afirmou Fingar. O estudo prevê que climas mais árduos levarão mais pessoasa tentar migrar "mais cedo" tanto para outras regiões de seupaís como para países mais ricos. Nas nações da África subsaariana, a produção de algumaslavouras que dependem de determinada quantidade de chuvapoderia ser reduzida à metade por volta de 2020, mostrou oestudo. Sem ajuda alimentar, a África subsaariana provavelmenteenfrentará nova crise de instabilidade e em especial conflitosviolentos entre etnias nas disputas pela propriedade de terras,diz o relatório. Em contraste, na maior parte da América do Norte orendimento líquido de lavouras de cereais vai aumentar de cincoa 20 por cento, segundo o estudo. O relatório diz ainda que a liderança dos EUA no mundo serájulgada pela "amplitude com que o país é visto como formador deum consenso global e eficaz para enfrentar as mudançasclimáticas".

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