Mudança climática agrava riscos humanitários, diz ONG

Os desastres naturais da última semana na Ásia salientam os crescentes impactos humanitários do aquecimento global e a necessidade urgente de um acordo climático ambicioso em nível global, disse uma ONG de ajuda humanitária e ao desenvolvimento na terça-feira.

CHISA FUJIOKA, REUTERS

06 Outubro 2009 | 12h50

Falando paralelamente às negociações climáticas que ocorrem em Bangcoc, a entidade World Vision disse que as inundações na Índia e um tufão nas Filipinas atingiram principalmente os pobres, que devem sofrer mais com a falta de ação dos países ricos no combate à mudança climática.

Nações em desenvolvimento e grupos humanitários têm defendido que os países ricos assumam a liderança no sentido de minimizar as piores consequências da mudança climática, como inundações, secas, degelo de geleiras e elevação do nível dos mares.

"A vinculação entre o impacto humanitário e a mudança climática está bem à nossa porta aqui na Ásia", disse em entrevista coletiva Richard Rumsey, diretor de redução de riscos por desastres e recuperação comunitária da ONG.

"Estes não são apenas desastres normais, isso se soma a desastres existentes. Em toda a Ásia, vocês têm visto outras crises, vocês têm visto terremotos e tsunamis," afirmou.

Enchentes provocadas por fortes chuvas no sul da Índia na semana passada mataram cerca de 250 pessoas e deixaram 2,5 milhões de desabrigados. Um tufão nas Filipinas matou 22 pessoas.

Rumsey disse que os recursos dos grupos humanitários estão sendo sobrecarregados com a necessidade de fornecer alívio imediato a tantos desastres, além de ajudar os países em desenvolvimento a buscarem soluções de longo prazo para enfrentar a mudança climática.

A World Vision, por exemplo, está ajudando comunidades das Filipinas a plantarem manguezais para fortalecer as defesas costeiras, ao mesmo tempo em que isso absorve carbono da atmosfera.

Mas o grupo pediu mais ação das nações desenvolvidas, acusadas por críticos de não se empenharem na redução das emissões de gases do efeito estufa e de não fornecerem ajuda financeira e tecnológica suficientes para que os países mais pobres lidem com a mudança climática.

"Não parece ter caído a ficha para alguns negociadores que estamos enfrentando uma emergência humanitária global", disse Brett Parris, economista-chefe e diretor de políticas para a mudança climática da World Vision.

"Muitos estão tratando isso efetivamente como uma negociação comercial, disputando vantagens econômicas. Não é a situação em que estamos. Estamos enfrentando uma emergência humanitária global que exige um financiamento sério e metas sérias."

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