MT defende compensação financeira para preservação de matas

Governador do Estado pede que pecuarista seja compensado quando deixar de explorar áreas amazônicas

Tatiana Freitas, da Agência Estado,

05 Outubro 2009 | 14h15

O governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, defendeu nesta segunda-feira, 5, que pecuaristas sejam compensados financeiramente pelas áreas do bioma amazônico que deixarão de ser desmatadas para tornar viável o cumprimento das exigências dos maiores frigoríficos do País, que nesta manhã assinaram compromisso com o Greenpeace de não comprar matéria-prima de áreas desmatadas da Amazônia. Segundo ele, o Brasil vai propor na Conferência do Clima de Copenhague, em dezembro, que os produtores rurais sejam remunerados por não explorar os 20% de suas propriedades que fazem parte da região amazônica cujo desmatamento é autorizado pela legislação atual.

 

"Na última reunião do Fórum de Governadores da Amazônia com o presidente Lula e ministros, ficou decidido que essa reivindicação vai para Copenhague. O presidente ainda quer conversar com outros presidentes da Amazônia sul-americana para a apresentação de uma proposta conjunta, mas a posição do Brasil já está tomada", afirmou Maggi. "Na minha avaliação, isso se transforma em assunto de extrema urgência e relevância. Aquele que tem o direito de usar 20% de sua propriedade precisa ter a opção de transformar isso em atividade economia tradicional ou moderna, que é preservar o meio ambiente, mas receber por isso. Se a proposta for vitoriosa em Copanhague, vai ser um impulso muito grande para o desmatamento zero na Amazônia", acrescentou.

 

Maggi esteve presente nesta segunda-feira ao evento que marcou a assinatura do compromisso dos frigoríficos JBS Friboi, Bertin, Marfrig e Minerva de, dentro de seis meses a partir da assinatura do acordo, não comprarem mais boi gordo proveniente de fazendas localizadas em áreas desmatadas da Amazônia. Nesse prazo, todos os seus fornecedores devem estar devidamente cadastrados para que o monitoramento seja possível. O governador apoiou a iniciativa, mas ressaltou a dependência de alguns estados do agronegócio e, portanto, da necessidade da existência de uma contrapartida aos produtores.

 

"A questão ambiental não se resolve com tanta simplicidade. Hoje está sendo assinada uma carta de intenções. Vai levar algum tempo para chegar a um nível ótimo para todos - pecuaristas, frigoríficos e varejo", disse. De acordo com estimativa da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), das 26 milhões de cabeças que formam o rebanho do Estado do Mato Grosso, cerca de 10 milhões estariam em área de desmatamento ilegal. Segundo Maggi, o objetivo é de que todos os produtores sejam incluídos na legalidade.

 

O Estado do Mato Grosso, um dos líderes em desmatamento no País, vai fornecer aos frigoríficos sistema de monitoramento por satélite para o acompanhamento do desmatamento da área utilizada para pecuária na Amazônia. O Greenpeace também deve ajudar na fiscalização, mas o acordo de hoje não implica em nenhum tipo de penalidade aos frigoríficos que não cumprirem o compromisso.

 

O acordo assinado nesta segunda-feira prevê ainda que os frigoríficos rejeitem invasão de terras indígenas, trabalho escravo e grilagem, entre outros pontos. O presidente da Marfrig, Marcos Molina, ressaltou que o pacto representa um passo importante para a cadeia produtiva na adoção de boas práticas de sustentabilidade, indo ao encontro das exigências de consumidores estrangeiros e brasileiros. Já o sócio-diretor da JBS Friboi, José Batista Junior, destacou que ações conjuntas como esta fortalecem a posição de frigoríficos brasileiros no mercado externo.

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