Depois da anulação do tombamento do Encontro das Águas pela justiça amazonense, o Ministério Público Federal no Amazonas afirmou em nota que se diz "surpreendido pela sequência, em curto espaço de tempo, de decisões judiciais e atos administrativos desfavoráveis à paisagem natural do encontro das águas do Rio Negro e Solimões".

06 Agosto 2011 | 17h34

O imbróglio inclui a construção de um terminal portuário em frente ao mais famoso cartão postal da Amazônia.

De acordo com o MPF, a empresa Log-In Logística Intermodal S.A., responsável pela obra, informou à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) a obtenção do "sinal verde" e o consequente recomeço da construção do Porto das Lajes um dia depois de ter conseguido a licença ambiental do órgão estadual para tal. "Só que a obtenção da licença nada significaria se, no dia seguinte (quinta, 4), o tombamento não tivesse sido cancelado", diz o texto do MPF. A reportagem procurou a Log-In Logística, mas não obteve resposta.

Cerca de 200 manifestantes fizeram na tarde de sexta, dia 5, um protesto em frente ao prédio da Justiça Federal, em Manaus, contra a anulação do tombamento do Encontro das Águas, divulgada na quinta, 4.

"Só o presidente da República pode decretar e derrubar um tombamento. Daí vem um juiz tupiniquim desavisado e tenta passar por cima da lei", reclamou ao megafone o sociólogo Ademir Ramos. O juiz não recebeu os manifestantes.

Em Brasília, o poeta Thiago de Mello e o empresário Tenório Teles se encontraram com membros do Conselho Jurídico do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan). Segundo Mello, a homologação do tombamento deve ser divulgada em breve. "Eles também disseram que devem se pronunciar para referendar o fato de que só o presidente da República é quem pode voltar atrás em um tombamento do Iphan", afirmou o poeta.

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