Dida Sampaio/Estadão - 15/9/2021
Dida Sampaio/Estadão - 15/9/2021

Mourão diz que pecuária precisa se adaptar para cortar emissão de metano

Brasil aderiu na COP-26 a acordo global para cortar em 30% as emissões desse gás até 2030; vice-presidente também minimizou isolamento de Bolsonaro em reunião do G-20

Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2021 | 14h25

O vice-presidente Hamilton Mourão disse que a pecuária do País terá de fazer "uma adaptação" para cumprir a meta de cortar 30% nas emissões de metano  até 2030, prevista em acordo firmado pelo Brasil e mais de cem países. Ele ainda minimizou o isolamento do presidente Jair Bolsonaro na reunião do G-20 (grupo das 20 maiores economias do mundo) no fim de semana, em Roma. 

"Vai ter de haver adaptação, planejamento para isso", disse o general a jornalistas na manhã desta quarta-feira, 3. A agropecuária foi responsável por 71,85% das emissões brasileiras de metano em 2020, segundo dados do Sistema de Estimativa de Emissões de Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), ligado ao Observatório do Clima. A redução, dizem especialistas, dependerá de mudanças no setor, como melhoras no manejo de pastagens e na atenção nutricional aos animais.

 

Na Cúpula do Clima (COP-26), o Brasil aderiu ao acordo global por causa da pressão dos Estados Unidos. Isolado internacionalmente, o governo Bolsonaro tem se alinhado à agenda de Joe Biden na COP, ao dar novas metas de redução de emissões de gases estufa, queda de desmatamento e o corte do próprio metano, segundo maior causador do aquecimento global, atrás apenas do gás carbônico. Apesar disso, Bolsonaro revelou não ter conseguido conversar com Biden durante as reuniões em Roma. "Ele parece que está bastante reservado para todo mundo", disse o brasileiro. 

Questionado sobre a falta de encontros formais de peso com outros líderes ao longo da cúpula, Mourão saiu em defesa de Bolsonaro. "Não vejo dessa forma. A reunião do G20 é densa, existem discussões técnicas antes. Quando se reúnem os representantes das vinte maiores economias do mundo, já vem uma agenda pré-preparada", afirmou o vice-presidente. "Essa questão de reuniões bilaterais... Acho que naquele momento não foi previsto isso", acrescentou, elogiando, em seguida, o discurso de Bolsonaro na cúpula. "Considerei muito bom."

Apesar da importância do Brasil no cenário internacional, o chefe do Executivo participou de reuniões bilaterais oficiais apenas com o presidente da Itália, Sergio Matarella, e com o secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Mathias Cormann.

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