Mortos por furacão no Haiti já passam de 500

Polícia recupera 495 corpos em Gonaives; devastado pela tempestade Hanna, país está em alerta pelo furacão Ike

Agências internacionais

05 Setembro 2008 | 22h26

A polícia do Haiti encontrou na sexta-feira 495 corpos depois que as águas das inundações provocadas pela tempestade tropical Hanna começaram a baixar na cidade de Gonaives. "O tempo está calmo agora e estamos descobrindo mais corpos. Encontramos 495 cadáveres e há 13 pessoas desaparecidas", disse o delegado Ernst Dorfeuille."O cheiro é muito forte em Gonaives. O número de mortes pode ser muito superior", disse. Pelo menos 529 pessoas morreram no Haiti por causa das inundações e dos deslizamentos de terra causados pelas chuvas torrenciais. Segundo Dorfeuille,em algumas partes da cidade as águas subiram a 5 metros FURACÃO IKEEm meio aos danos provocados por Hanna, o Haiti prepara-se para o furacão Ike, que deve chegar ao seu território neste fim de semana. O cenário era de desolação. Em Gonaives, a quarta maior cidade do Haiti e a mais afetada pelas chuvas e fortes ventos da Hanna, mais de 40 mil pessoas amontoavam-se em abrigos improvisados. Corpos boiavam nas águas lodosas que cobriram mais da metade das casas da região enquanto soldados argentinos da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) ajudavam a resgatar haitianos ilhados em suas casas. Alguns estavam esperando o resgate por vários dias, isolados pelas inundações.  A ONU também conseguiu enviar na sexta-feira o primeiro grande carregamento de alimentos à região, depois que seus militares passaram a noite em claro para reconstruir um ancoradouro. Um navio com 33 toneladas de produtos de primeira necessidade foi recebido em Gonaives pela manhã por milhares de pessoas que, desde a passagem da tempestade Hanna, há quatro dias, sobreviviam com pouca comida e quase sem água.  Mais tarde, no cais, soldados armados faziam a segurança enquanto a população recebia arroz, bolachas, óleo de cozinha, água mineral e pastilhas de purificação de água. A Unidade Pan-americana de Resposta a Desastres da Cruz Vermelha também enviou um avião com toneladas de suprimento.  A perspectiva da chegada do novo ciclone aumentava o nervosismo. Segundo os meteorologistas, o furacão Ike, de categoria 3, poderia atingir a mesma região do país, inundando mais uma vez o Vale de Artibonite, o mais fértil do Haiti, e elevando o nível dos rios que passam por Gonaives. "Não precisamos de um furacão para causar um grande desastre, se o Ike chegar como uma tormenta, isso já será terrível", disse Max Cocsi, da ONG Médicos Sem Fronteiras.  A tempestade tropical Hanna passou pelo Haiti cinco dias depois de o país ter sido atingido pelo furacão Gustav, que deixou 59 mortos. A previsão era a de que Hanna - possivelmente como furacão - atingisse na noite de ontem a costa dos EUA, na direção das Carolinas do Sul e do Norte. "O Haiti pediu oficialmente ajuda internacional", anunciou Elisabeth Byrs, porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas. "A ONU fará um apelo internacional para coletar fundos."  A Cruz Vermelha Internacional também pediu US$ 4 milhões para ajudar milhares de famílias em Gonaives. À tarde a União Européia anunciou que doará US$ 2,8 milhões ao Haiti para colaborar com a reconstrução do país - o mais pobre da América Latina. Cerca de 70% de sua população vive abaixo da linha da pobreza.

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