Morte do Mar de Aral é 'desastre chocante', diz secretário-geral da ONU

Projeto de irrigação soviético reduziu o mar interno da àsia Central em 90%; água gera disputa

Associated Press,

04 Abril 2010 | 14h33

O ressecamento do mar de Aral é um dos desastres ambientais mais chocantes do mundo, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ao pedir que os líderes da Ásia Central se esforcem para resolver o problema.

 

O Aral, que já foi o quarto maior lago do planeta, encolheu 90% desde que os rios que o alimentavam foram desviados para um projeto soviético de plantio de algodão.

 

O encolhimento do mar arruinou a economia pesqueira da área, e deixou navios encalhados em um deserto arenoso, como se tivessem caído do ar. A evaporação do mar deixou o solo coberto por camadas de areia extremamente salgada, que os ventos espalham pelo mundo, do Japão à Escandinávia, e que causam danos à saúde da população local.

 

Navio encalhado na areia salgada que ficou depois da seca do mar. Alexander Zemlianichenko/AP

 

Ban visitou o mar de helicóptero, como parte de um giro pelos cinco países da antiga Ásia Central Soviética. A viagem incluiu uma parada em Muynak, no Usbequistão, uma cidade que ficava na beira do Aral, e onde hoje as docas estendem-se sobre um deserto cinzento e camelos passeiam entre navios encalhados.

 

"No píer, não via nada, via apenas um cemitério de navios", disse ele a jornalistas.

 

"Peço que todos os líderes sentem-se e tentem encontrar soluções", disse ele, prometendo que as Nações Unidas apoiarão o esforço.

 

No entanto, a cooperação vem sendo prejudicada por desentendimentos quanto à posse da água escassa.

Em uma apresentação feita a Ban, autoridades usbeques queixaram-se de que barragens no Tajiquistão reduzirão gravemente o fluxo de água para o Usbequistão. O Tajiquistão, um país empobrecido, vê na geração hidrelétrica uma fonte potencial de recursos.

 

A competição por recursos hídricos pode se tornar cada vez mais grave à medida que o aquecimento global e o crescimento populacional reduzem a disponibilidade da água.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.