Ipec
Ipec

Morte de pinguins é recorde neste ano em praias do litoral sul paulista

Pelo menos 282 pinguins-de-magalhães procedentes da região da Patagônia foram encontrados mortos

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

09 Agosto 2018 | 19h43

SOROCABA - Ao menos 282 pinguins-de-magalhães procedentes da região da Patagônia, no sul da Argentina e do Chile, foram encontrados mortos neste inverno em praias do litoral sul do Estado de São Paulo. Os achados, que incluíram outros cinco pinguins vivos, aconteceram principalmente na porção norte de Ilha Comprida, mas também nas praias de Iguape e da Ilha do Cardoso, em Cananeia. No inverno do ano passado, foram achados 14 pinguins, dos quais dez estavam mortos. Em 2016, foram 42 mortos e um vivo, conforme dados do Instituto de Pesquisas Cananeia (IPeC).

O resgate dos corpos e de alguns animais ainda vivos mobiliza os pesquisadores do Instituto, que atua em pesquisa científica e faz o monitoramento das praias da região. Somente nesta quinta-feira, 9, foram recolhidos mais de 70 animais. De acordo com a coordenadora geral do projeto de monitoramento do IPeC, Daniela Ferro de Godoy, anualmente os pinguins-de-magalhães deixam suas colônias, no extremo sul do continente americano, e chegam à costa brasileira, onde ficam durante o período mais frio, retornando após o inverno. “Nas últimas semanas, temos recebido ligações e mensagens de moradores e turistas preocupados com a quantidade de pinguins mortos nas praias da nossa região”, disse.

O número de aves mortas é tão grande que as equipes passaram a fazer inspeções diárias nas praias. Conforme Daniela, algumas hipóteses estão sendo consideradas para explicar o fenômeno. “Pode estar associado ao fenômeno El Niño que, como o La Niña, faz com que os pinguins se desloquem por grandes distâncias em busca de águas mais quentes. Muitos ficam à deriva e chegam à nossa costa fracos e extenuados.” No inverno do ano passado, segundo ela, aconteceram menos frentes frias, o que explicaria o número menor de resgates.

Também pode estar havendo uma dispersão maior da espécie, que migra na tentativa de se estabelecer em novas áreas. “A gente considera como área de migração até a costa do Espírito Santo, mas este ano estamos vendo muitos animais jovens, com menos de um ano de idade, em sua primeira migração”, observa Daniela. A coordenadora avalia que a quantidade de espécimes encalhados pode indicar aumento de população da espécie. “Eles podem estar tentando achar novas áreas e a seleção natural faz o papel dela. Os filhotes vêm para o mundo e têm de se virar. Os mais fracos não conseguem alimento, enfraquecem e morrem.”

Os pinguins se alimentam basicamente de peixes e a eventual escassez de cardumes também pode ser causa da mortandade, segundo Daniela. “A maioria dos que examinamos não tinha alimento no estômago. Também não achamos lixo, plástico ou outro material que possa ter causado a morte, como geralmente acontece com as tartarugas. Ainda não dá para afirmar, mas aparentemente não tem a ver com poluição.”

Amostras foram coletadas para exames, mas o resultado sai em até sete meses. Os pinguins apanhados vivos são levados para o Centro de Reabilitação do Instituto e devolvidos ao mar depois que se recuperam. “Pegamos dois este mês e estão sendo reabilitados para soltura.”

Conforme a coordenadora, este ano foi registrado um número expressivo de lobos-marinhos encalhados ou mortos nas praias, o que reforça a possibilidade de interferência dos fenômenos climáticos. Até esta quinta-feira, 9, tinham sido encontrados nove animais, sendo três vivos. Nos dois anos anteriores, nenhum animal da espécie foi resgatado vivo ou morto.

Mais conteúdo sobre:
Patagônia pinguim

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.