Moratória para pesquisa em geoengenharia é polêmica

Proibição da aplicação da geoengenharia é consenso, mas moratória para pesquisa tem críticos

Karina Ninni com Agências internacionais, Especial para O Estado

24 Novembro 2010 | 15h03

A falta de perspectiva de um acordo que obrigue nações desenvolvidas, sobretudo os Estados Unidos, a reduzir suas emissões de poluentes tem renovado o interesse pelas soluções da geoengenharia, apesar da moratória decretada na COP da Diversidade Biológica, em Nagoya, Japão, no mês passado. A maioria dos cientistas e ambientalistas concorda com a ideia de não aplicar essas ferramentas enquanto não se souber o impacto exato que podem ter sobre o planeta. Mas há controvérsia quanto às pesquisas na área, ainda permitidas.

 

“A moratória é apropriada, desde que não seja aplicada também à pesquisa. Uma moratória completa, como foi proposta originalmente na COP-10, não é uma boa ideia. Nós ainda sabemos muito pouco sobre a maioria dessas ideias e precisamos continuar as pesquisas”, afirma o oceanógrafo John Shepherd, membro da Royal Society, entidade britânica dedicada ao conhecimento da natureza. “Há uma clara divisão na minha cabeça entre pesquisa e aplicação. Isso foi reconhecido no acordo final de Nagoya, que permitiu a pesquisa em pequena escala.”

 

“Somos a favor da pesquisa em geoengenharia, mas não de sua adoção”, afirma François Simard, da ONG International Union for Conservation of Nature (IUCN). “Ainda é perigoso. Não sabemos os seus efeitos.”

 

Ferro no mar

 

Uma das alternativas mais criticadas desse rol de soluções engenhosas, a fertilização dos oceanos levou um banho de água fria em 2008, quando a Convenção de Diversidade Biológica (CDB) conseguiu um acordo para suspender todos os seus testes. A discussão surgiu depois do anúncio de que a empresa americana Planktos pretendia lançar 100 toneladas de partículas de ferro no Oceano Pacífico, perto das Ilhas Galápagos, santuário onde Charles Darwin conduziu estudos que levaram à Teoria da Evolução. A ideia era provar que a técnica permitiria a absorção de gás carbônico.

 

“Há enormes diferenças entre os projetos. Não vejo tantos problemas em semear as nuvens com água do mar para deixá-las mais brancas”, acredita Shepherd. “Porém, os projetos que envolvem a liberação de grandes quantidades de dióxido de enxofre na atmosfera são preocupantes e devem ser submetidos a controles mais rígidos. Não é possível tratar a geoengenharia sob a dualidade do sim ou não, do branco ou preto.”

 

Os ativistas costumam tratar a questão de forma inversa. “É absolutamente inapropriado que um punhado de governos de países industrializados optem pela geoengenharia sem a aprovação do resto do mundo”, critica Pat Mooney, da organização de advogados ETC Group. A entidade tem base no Canadá, país que se opõe à moratória para adoção de projetos globais de geoengenharia./COLABOROU GUSTAVO BONFIGLIOLI, ESPECIAL PARA O ESTADO

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