Moradores da região tomada pela lama tóxica começam a voltar às suas casas

Greenpeace húngaro afirma que o retorno dos habitantes ainda é precipitado

AP

15 Outubro 2010 | 22h45

BUDAPESTE - Os moradores dos vilarejos húngaros atingidos pela onda de lama tóxica que vazou de uma fábrica de processamento de bauxita estão começando a voltar para as aldeias, a despeito dos avisos de ambientalistas que afirmam ainda ser muito perigoso e precipitado o retorno.

 

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Cerca de 800 habitantes de Kolontar foram evacuados no último sábado, após o alerta de que um outro muro do reservatório da fábrica de alumínio poderia desabar, lançando uma nova torrente de lama alcalina.

 

Nove pessoas morreram na enchente tóxica, e aproximadamente 50 ainda estão hospitalizadas, muitas em condições críticas.

 

Na sexta-feira, cerca de 30 pessoas foram levadas a Kolontar em ônibus originários de um estádio esportivo em uma cidade próxima, Ajka, onde estavam alojadas.

 

"Outros habitantes estão retornando em seus próprios veículos, vindos da casa de amigos e parentes na região", disse a porta-voz da equipe de Defesa Civil, György Töttös.

 

Um muro protetor com 620 metros de comprimento e aproximadamente 2,7 metros de altura foi construído em Kolontar para proteger a região contra possíveis vazamentos futuros da lama vermelha, resíduo altamente cáustico que resulta da produção de alumina, que dá origem ao alumínio. 

 

"Nós acabamos de voltar à nossa casa e vamos ficar", disse o mecânico Peter Veingartner, 31 anos, de Kolontar. "Parece que a maioria das pessoas vai retornar a Kolontar. Mesmo as que perderam suas casas dizem que preferem reconstruí-las aqui".

 

"As casas nas regiões que não podem ser recuperadas estão sendo demolidas", ele conta. A residência da tia de Veingartner, Erzsebet, estava entre as que estão sendo derrubadas por tratores, tanto por serem consideradas inabitáveis ou por estarem no caminho do muro de proteção. Já a sua casa, que fica em uma região mais alta, foi intocada pela enchente vermelha.

 

Autoridades proibíram a entrada de jornalistas em Kolontar na sexta. A Ajkai Timfoldgyar, fábrica responsável pela catástrofe, pertencente à MAL Ltd., reiniciaria suas atividades para sexta, mas o governo húngaro decidiu adiar a reabertura.

 

O Greenpeace afirma que ainda é muito cedo para mandar os habitantes de volta à Kolontar e reabrir a fábrica de alumínio por ainda não existirem dados suficientes para garantir a segurança da região.

 

"As causas exatas da catástrofe ainda não foram esclarecidas", declara o Greenpeace da Hungria. A entidade ainda alerta para os altos níveis de poeira suspensa no ar, tanto dos trabalhos de demolição como da própria lama vermelha, que começou a secar: "Ninguém ainda revelou dados exatos sobre os efeitos a curto e longo prazo da poeira suspensa na região". Töttös reiterou a obrigação em usar máscaras protetoras na área.

 

Autoridades húngaras afirmam que a fábrica, que emprega cerca de 1,1 mil pessoas e está sob tutela temporária do governo, vai reabrir o quanto antes

 

Estima-se que a quantidade de lama tóxica ainda existente no reservatório varie entre 20 e 30 milhões de toneladas.

 

Teoricamente, a lama vermelha residual é colocada nos reservatórios para que, após a evaporação da água, o material sólido remanescente seja utilizado em construções. Mas isso não tem acontecido na Hungria: quando enche um reservatório, é construído outro.

 

"Não há reciclagem do material que sobra da lama vermelha, apesar de algumas tentativas terem sido feitas no passado, sem sucesso", revela Gyorgy Banvolgyi, engenheiro húngaro com 40 anos de experiência na indústria de alumínio.

 

Ele explica que os produtroes de alumina na Hungria possuem a posição de que "a lama vermelha pode ser utilizada para outros fins, mas como não há aplicação plausível até agora, a melhor alternativa é continuar deixando-a nos reservatórios".

 

A polícia húngara - que, na quarta-feira, absolveu o diretor da MAL Ltd. Zoltan Bakonyi após o julgamento determinar provas insuficientes contra ele - afirmou na sexta-feira que houve tentativa de interrogar o diretor técnico da empresa, Jozsef Deak, mas ele se recusou a testemunhar.

 

Deak, que foi solto pelas autoridades na quinta-feira, é suspeito por colocar a população em perigo e causar danos ao meio-ambiente, acusações similares às que Bakonyi recebeu antes do julgamento

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