Ministros criticam pouca ambição nos documentos da Conferência do Clima

Na véspera do fim da conferência, ausência de metas definidas para corte de emissões de gases causadores do efeito estufa causa preocupação

Afra Balazina, enviada especial a Durban (África do Sul),

09 Dezembro 2011 | 20h08

 Os dois principais documentos da Conferência do Clima da ONU (COP-17) apresentados na sexta-feira, 9, em Durban foram criticados por muitos ministros que participam das negociações por um acordo climático pela baixa ambição que apresentavam. Os representantes dos Estados-ilha eram os mais descontentes.

No início da noite, a presidente da COP-17, a sul-africana Maite Nkoana-Mashabane, resolveu recolher os documentos para reformá-los - o que foi sugerido pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. A reunião para avaliação dos textos, com cerca de 70 ministros, continuaria na madrugada de sábado, 10.

Um dos documentos diz respeito à criação da segunda fase do Protocolo de Kyoto. O primeiro período de compromisso termina em 2012 e, para os países em desenvolvimento, é fundamental deixar Durban com a continuidade do tratado garantida.

Mas o documento não trazia, por exemplo, os números das metas que os países teriam para cortar as emissões dos gases-estufa, considerados responsáveis pelas mudanças climáticas. Um delegado de país em desenvolvimento considerava que ainda era possível incluir esses números no texto, o que o deixaria mais ambicioso. Antes de ser refeito, o documento somente convidava as partes a submeterem suas metas até o dia 1.° de maio de 2012.

A continuação do protocolo foi apelidada de “Kyotinho”, pois países como Japão, Rússia e Canadá afirmam que não farão parte da segunda fase. União Europeia, Austrália e Nova Zelândia devem se comprometer. O segundo documento trata das ações de longo prazo contra as mudanças climáticas. A avaliação era que o texto precisava ser mais claro com relação a datas, entre outros problemas.

Pacote. O objetivo é fechar um pacote na COP-17 com o segundo período de Kyoto e também um roteiro para um novo acordo global, com força de lei e a participação de todos os países.

A ideia partiu da União Europeia e foi ganhando ao longo da semana cada vez mais adeptos: primeiro os Estados-ilha, vulneráveis à subida do nível do mar; depois os países menos desenvolvidos, como Brasil e a África do Sul, que ontem apoiavam claramente a proposta. Mas, segundo Connie Hedegaard, comissária da União Europeia para Ação Climática, ainda faltava um avanço maior por parte da China, da Índia e dos Estados Unidos.

A Índia foi colocada contra a parede ontem porque o país está relutante em aceitar o fato de ter metas obrigatórias de corte de emissões. Mas a ministra Jayanthi Natarajan acabou sendo aplaudida pelos ministros depois de fazer um discurso forte, mencionando que o país ainda cerca de 450 milhões de pessoas sem acesso à energia. Assim que a reunião foi suspensa, ela disse que não sabia qual seria o resultado e que era preciso “conversar mais”. Quando a China e a Índia confirmarem sua participação, os EUA não terão mais desculpas para não agir.

A expectativa é de que o resultado será alcançado nesta conferência. Se isso ocorrer, a principal vitória de Durban será colocar os dois maiores emissores de gases-estufa - os EUA e a China - no mesmo barco. Os dois países, assim como o Brasil, terão metas obrigatórias de corte de emissão na próxima década. Até 2020, os países em desenvolvimento e os Estados Unidos, que não fazem parte do Protocolo de Kyoto, cumprirão as metas voluntárias que incluíram no Acordo de Cancún e no Acordo de Copenhague.

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