Ana Paula Niederauer/Estadão
Ana Paula Niederauer/Estadão

Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações quer cuidar de recuperação do meio ambiente

A pasta, sob gestão de Marcos Pontes, criou iniciativa cujo objetivo é ajudar na 'redução da perda de biodiversidade'

André Borges, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2020 | 15h49

BRASÍLIA – Com o governo pressionado dentro e fora do País pela forma como tem conduzido as pautas ambientais, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, o astronauta Marcos Pontes, resolveu que é hora de entrar no assunto e dar sua colaboração. Na última quarta-feira, 26, o MCTI criou, por meio de uma portaria, a “Iniciativa Regenera Brasil”. O objetivo da medida, segundo a publicação assinada por Pontes, é ajudar na “redução da perda de biodiversidade”.

O ministério também que “contribuir com a pesquisa científica, o desenvolvimento tecnológico e a inovação para a geração de diretrizes que promovam a recuperação efetiva dos ecossistemas nativos brasileiros”. Para fazer esse trabalho, a “Iniciativa Regenera Brasil” terá um comitê gestor, que será coordenado e formado por membros de secretarias do próprio ministério. O grupo quer ainda definir “metodologias adequadas de recuperação para cada situação de degradação”, priorizar “áreas de recuperação com melhor relação custo-eficiência” e fazer o “monitoramento científico das áreas em recuperação”.

O comitê Gestor da iniciativa poderá ter a participação, como convidados e sem direito a voto, de “cientistas de notório saber com experiência no tema e em áreas correlatas”. A participação no comitê será considerada prestação de serviço público relevante, não remunerada. A portaria entra em vigor em 1º de setembro.

A decisão de o ministro astronauta Marcos Pontes criar uma nova iniciativa voltada à questão ambiental correu pelos bastidores da Esplanada dos Ministérios e virou piada entre membros do governo, dizendo que o MCTI passaria a fazer o trabalho que o Ministério da Agricultura, Embrapa e MMA não estariam fazendo. Uma imagem de Marcos Pontes com a propaganda de seu “travesseiro da Nasa” também correu por grupos de Whatsapp.

Os números sobre o desmatamento e queimadas na Amazônia seguem para mais um ano de recorde, depois de terem registrado níveis históricos em 2019. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tem ficado cada vez mais alheio ao assunto, desde que o vice-presidente assumiu o comando das iniciativas junto ao Ministério da Defesa, em maio.

Ontem, Mourão classificou como “surreal” a forma como as notícias sobre incêndios na Amazônia são divulgadas. “Segundo os dados de 26 de agosto, existem 24 mil focos de calor na Amazônia. São 24 mil em 5 milhões de quilômetros quadrados, um incêndio a cada 200 quilômetros quadrados. É surreal como isso é colocado para as pessoas”, afirmou Mourão, que é chefe do Conselho da Amazônia, grupo criado pelo governo federal para combater a destruição da floresta e incentivar atividades ecologicamente corretas. “E 17% desses incêndios são legais. Sabemos muito bem onde estão ocorrendo (os incêndios ilegais)."

Mourão está à frente da Operação Militar Verde Brasil 2, que, como revelou o Estadão, incluiu em seus balanços dados de operações que não tinham nenhuma relação com a operação e ocorridas antes mesmo desta ser criada, em 11 de maio.

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