Mayke Toscano/Secom-MT
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Ministro do Meio Ambiente diz que grande parte das queimadas é criminosa

Desde 1.º de janeiro até esta terça, foram contabilizados 74.155 focos de incêndio no País, alta de 84% em relação ao mesmo período do ano passado. 'Em alguns pontos, são propositais', diz Salles

Fátima Lessa, especial para O Estado

22 de agosto de 2019 | 00h21

CUIABÁ - O ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, afirmou nesta quarta-feira, 21, em Cuiabá, que grande parte das recentes queimadas é criminosa. A declaração foi feita ao comentar a fala do presidente Jair Bolsonaro, que acusou ONGs de estarem por trás dos incêndios na Amazônia, sem apresentar provas ou aponta qualquer entidade suspeita.  "Em todos os pontos que vimos, em alguns locais (as queimadas) são propositais e, em outros, o fogo é incidental", disse, sem dar mais detalhes.

Sobre o corte dos recursos do Fundo Amazônia pelo governo da Noruega e Alemanha, o titular da pasta declarou que o governo está “negociando novas regras" para o programa, "com destinação muito clara e com ações concreta, em que teremos mais eficiência e foco na questão ambiental”. 

O governo tem declarado que o fundo estaria beneficiando apenas ONGS e hoje, na saída do Planalto, além de sugerir que ONGs estariam por trás das queimadas, o presidente voltou a reafirmar que todas as ONGs estão aparelhadas. "Perderam a boquinha e agora ficam com essas atitudes", disse. 

O ministro esteve em Mato Grosso e visitou os municípios de Sinop e Sorriso, onde recentemente foi lançado o projeto Abafa Amazônia, na região Norte mato-grossense. A ação é realizada com o emprego das forças de segurança: Polícia Militar, Polícia Judiciária Civil, Corpo de Bombeiros Militar e Politec, além de órgãos como Defesa Civil e Comitê Estadual de Gestão do Fogo.

Desde 1.º de janeiro até esta terça-feira, 20, foram contabilizados 74.155 focos de incêndio no País, alta de 84% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com o Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que contabiliza esses dados desde 2013.

Um pouco mais da metade (52,6%) desses focos vem ocorrendo na Amazônia, com o Mato Grosso na liderança. As queimadas já superam em 8% o recorde de 2016, um ano de extrema seca, que tinha registrado 68.484 focos no mesmo intervalo de tempo. Dados do governo de Mato Grosso apontam que a cidade que mais registra focos de queimadas é Colniza, com 9,9% do total. 

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