Ministra do Meio Ambiente defende adiamento da votação do Código Florestal

Para Izabella Teixeira, o debate ainda é insuficiente; líder ruralista considera que ministra 'só faz barulho'

Agência Brasil

23 Novembro 2010 | 20h11

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse nesta segunda-feira que o Código Florestal não deve ir à votação este ano, como desejam alguns deputados federais. Segundo ela, a discussão sobre a proposta precisa ser ampliada na sociedade. “O tema requer mais debate. A proposta que está em discussão é insuficiente.”

 

Para a ministra, o projeto não pode ser votado no final da legislatura. “Até porque a sinalização que temos da sociedade é da insuficiência do debate.” Segundo ela, a aprovação da proposta, da forma como ela foi concebida, pode provocar vetos. “Somos a favor da modernização do Código Florestal, mas precisamos aperfeiçoar o debate, considerando as diferenças regionais.”

 

De acordo com Izabella Teixeira, há uma “elite política, tradicional e associada à agropecuária” que não deseja ampliar o debate sobre o código. A ministra disse que também há extremismo entre os ambientalistas. Isso, acrescentou, prejudica o diálogo sobre o tema. “Quando falo em elite são os segmentos que não querem debater por serem radicais, tanto do lado ambiental quanto do lado da agricultura”.

 

Em nota enviada ao estadao.com.br, o presidente da Frente Parlamentar Agropecuária, deputado federal Moreira Mendes (PPS-RO), rebate as afirmações da ministra. Para ele, Izabella Teixeira e os ambientalistas se omitem do debate e não apresentam soluções, "só fazem barulho". "O que a ministra chama de ‘elite política, tradicional e associada à agropecuária’ são brasileiros preocupados com o país, cientes de que o Código Florestal em vigor não permite o crescimento do setor agropecuário”, defende o ruralista.

 

Perguntada sobre a sua expectativa em relação à 16ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que ocorrerá ainda este mês, em Cancún (México), a ministra disse que acredita que haverá avanços. “Se conseguirmos aprovar a agenda que está na mesa, que é um pacote com a prorrogação da segunda fase do Protocolo de Kyoto, medidas em torno do REDD e de adaptação e mitigação, que seguem a agenda de Copenhague, avançaremos na agenda.”

 

As negociações durante a conferência serão complexas, mas o Brasil vai a Cancun com disposição para negociar e ter resultados. “O papel do Brasil será de um negociador e de um facilitador”, afirmou a ministra.

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