Edson Ruiz/Estadão
Edson Ruiz/Estadão

Ministério da Agricultura diz que peixes do Nordeste podem ser consumidos

Análise foi feita pelo Laboratório de Estudos Marinhos e Ambientais da PUC do Rio e mostra que o produto está em condições apropriadas para o consumo humano

André Borges, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2019 | 14h57

BRASÍLIA - O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou nesta segunda-feira, 11, resultado de exames feitos em amostras de pescado do litoral do Nordeste, em áreas atingidas pelo vazamento de óleo. A análise foi feita pelo Laboratório de Estudos Marinhos e Ambientais da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio e mostra que o produto está em condições apropriadas para o consumo humano.

O laboratório analisou os níveis de indicadores para contaminação por derivados de petróleo. Os resultados, segundo o ministério, revelam níveis baixos detectados em peixes e lagostas e que não representam riscos para o consumo humano.

 As amostras foram coletadas em estabelecimentos registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF), nos dias 29 e 30 de outubro, nos estados da Bahia, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

Já uma análise anterior, feita pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), havia apontado risco de consumo de frutos do mar em áreas afetadas pelo óleo. Estudo marinho apontou resquícios do poluente nos sistemas respiratório ou digestivos em 50 animais marinhos.

“As amostras para monitoramento da situação de segurança do consumo de pescado continuam sendo colhidas e, conforme a liberação dos resultados das análises, serão divulgados pelo Mapa, com atualizações das recomendações”, informou a pasta.

No dia 31 de outubro, o secretário de Aquicultura e Pesca, Jorge Seif Júnior, declarou, durante conversa com o presidente Jair Bolsonaro, que os peixes são animais inteligentes, que fogem ao perceberem a presença de óleo no mar. “O peixe é um bicho inteligente. Quando ele vê uma manta de óleo ali, capitão, ele foge, ele tem medo”, disse Seif Júnior. “Então, obviamente que você pode consumir seu peixinho sem problema nenhum. Lagosta, camarão, tudo perfeitamente sano.”

Coordenador de um estudo da UFBA que apontou riscos de contaminação de frutos do mar em áreas afetadas pelo óleo, o diretor do Instituto de Biologia da instituição, Francisco Kelmo, criticou a forma como o anúncio foi feito pela pasta. Na avaliação dele, é inadequado falar em baixos níveis de poluentes detectados nos animais. "Para mim, ou está contaminado, ou não. Baixo nível de contaminação não existe."

Em Aracaju, o superintendente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em Sergipe, Haroldo Araújo Filho, afirmou que, ainda em novembro, marisqueiros e pescadores que foram prejudicados com as manchas de óleo receberão, por dois meses, um salário mínimo. “Esse não é um pagamento de defeso”, frisou. 

Uma medida provisória foi assinada pelo então presidente em exercício, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), em visita ao Sergipe em 23 de outubro. Já o representante do Instituto Chico Mendes (ICMBio), Erik Santos, afirmou que cerca de 153 animais foram contaminados na região de Sergipe, sendo 87 tartarugas marinhas.

Ele ressaltou que, desde o surgimento das primeiras manchas de óleo, o instituto vem fazendo monitoramento e que estudos mostraram que não foi localizado vestígio a partir de 20 metros de profundidade. Segundo o contra-almirante Alexandre Rabello de Farias, chefe do Estado Maior de Operações Navais da Marinha, em quatro Estados - Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte e Pernambuco - não houve avanço da mancha do poluente e não é possível dizer se o óleo vai chegar a mais lugares.  /COLABORARAM BRUNO LUIZ, E ANTÔNIO CARLOS GARCIA ESPECIAIS PARA O ESTADO

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