Minc diz que não será 'carimbador maluco' de licenças

Novo ministro do Meio Ambiente aproveitou sua posse para anunciar criação de fundo privado para Amazônia

Lisandra Paraguassú, Agência Estado

27 de maio de 2008 | 20h42

O novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, desembarcou no cargo afirmando que não será um "carimbador maluco" de licenças ambientais e que dirá ao colega das Minas e Energia, Edison Lobão, que não é "Chapeuzinho Vermelho". O Carimbador maluco é o nome de uma música do Raul Seixas, também conhecida como Plunct Plact Zum, de 1983.       Minc aproveitou a posse, nesta terça-feira, 27, no Planalto, para anunciar a criação, no próximo dia 5 de junho, de um fundo privado, com recursos nacionais e principalmente internacionais, para estimular ações de desenvolvimento sustentável na Amazônia. Sem dar mais detalhes da idéia, Minc disse que o fundo será administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e já teria uma doação inicial de US$ 100 milhões da Noruega.   Veja também: Desmatamento da Mata Atlântica caiu 69% até 2005 Minc quer aumentar poder do Ibama na fiscalização ambiental Sem poupar elogios a Marina, Lula chega a compará-la a Pelé Estudo aponta redução na destruição da mata atlântica Inpe suspende divulgação de dados sobre desmatamento Especial: Amazônia - Grandes reportagens    "Vamos trazer recursos para manter a floresta em pé. A lógica é a seguinte: todo mundo diz que a Amazônia é importante, todo mundo chora quando cortam uma árvore da Amazônia. Agora, temos 25 milhões de pessoas que vivem na Amazônia. E nós precisamos de recursos para essas pessoas sobreviverem com práticas sustentáveis", disse em entrevista ao final da cerimônia de posse, ontem, no Palácio do Planalto.   Minc anunciou que irá, na próxima quinta-feira, 29, à conferência ambiental das Nações Unidas, em Bonn, na Alemanha. "O que eu vou dizer para os ministros do meio ambiente, em Bonn, é que nós somos soberanos, mas que as contribuições são bem vindas para que possamos exercer nossa soberania ambiental e a sobrevivência digna de 25 milhões de pessoas que vivem na Amazônia", afirmou.   Minc afirmou, ainda, que deve apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já na semana que vem, uma proposta de ampliação dos poderes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) na fiscalização e leilão imediato dos bens de apreendidos em ações ambientais, nos moldes dos poderes da Receita Federal. Hoje, os bens ficam à disposição da Justiça até o final de um processo. Minc quer que sejam leiloados para pagamento das multas, e os recursos revertidos para ações ambientais.   O novo ministro chega ao cargo com a fama de que teria acelerado a concessão de licenças ambientais durante sua gestão como secretário de meio ambiente no Rio de Janeiro - algo visto como positivo por alguns e com receio por outros. Na sua primeira entrevista depois da posse, Minc fez questão de ressaltar que o trabalho de sua antecessora será mantido e que manterá o rigor. "Não serei o carimbador maluco, da improbidade administrativa", brincou, citando uma música do compositor Raul Seixas. "Podemos dar licenças mais ágeis e com mais rigor".   Afirmou que vai conversar com o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi - com quem já trocou farpas pela imprensa antes mesmo da posse - e que tem tido longas e boas conversas com a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, sempre apontada como uma das fontes de atrito com Marina Silva dentro do governo. "Nos entendemos muito bem, e a nossa música é 'Dois pra lá, Dois pra cá': duas licenças, dois parques ambientais. O desenvolvimento vai andar e preservação ecológica também", garantiu.   Em relação à declaração do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que disse esperar da gestão de Minc mais rapidez na concessão de licenças ambientais para obras, o novo ministro informou que terá uma longa conversa com o colega. "Primeiro, para dizer que não sou o 'Chapeuzinho Vermelho'. Mas direi que teremos uma ótima relação, pois acho que as hidrelétricas fazem a diferença. A nossa matriz (energética) é uma das mais limpas, porque as hidrelétricas geram pouca emissão de CO2", afirmou. O novo ministro acrescentou que pretende criar parques fluviais ao longo dos rios e usar os recursos das compensações ambientais pagas pelas usinas para preservar os recursos hídricos reflorestando as nascentes e os mananciais, criando dezenas de parques fluviais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.