Minc anuncia R$ 1 bi para desmatador voltar à legalidade

Ministro diz que agricultores que estiverem na ilegalidade para desmatar sofrerão a ação da Polícia Federal

Angela Lacerda, de O Estado de S. Paulo,

30 de maio de 2008 | 13h08

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, no seu discurso aos governadores da Amazônia nesta sexta-feira, 30, anunciou que os produtores que quiserem legalizar a sua situação e recompor as áreas de reserva exigidas pela lei terão R$ 1 bilhão. Dessa forma, os agricultores poderão se enquadrar novamente nas regras para recebimento de crédito. "Uma coisa é você obrigar, a outra é você dar meios. Todos aqueles que queiram se legalizar e recompor as áreas de reserva legal vão ter R$ 1 bilhão. É uma obrigação legal, mas agora os recursos vão garantir que ela seja cumprida", disse o ministro.   Veja também: Minc anuncia zoneamento agroecológico da Amazônia 'Não quero ir ao ringue', diz Maggi em fórum da Amazônia Minc diz que não recua em corte de crédito na Amazônia Desmatamento da Mata Atlântica caiu 69% até 2005 Especial: Amazônia - Grandes reportagens    Minc afirmou ainda que a resolução do Banco Central que bloqueia crédito agrícola para quem não possui regularização ambiental será mantida. E destacou: "Para quem estiver na ilegalidade para desmatar, sofrerá a ação da Polícia Federal".     O ministro chegou a Belém vindo da Alemanha, onde foi reivindicar ajuda financeira para a Amazônia. Ele confirmou que no próximo dia 5, será assinado o acordo que criará o Fundo de Proteção da Amazônia. Explicou que na viagem que fez à Alemanha, já foi conseguida a primeira doação, da Noruega, que garantiu US$ 100 milhões por ano durante cinco anos, para manter a floresta em pé para a sua recuperação.   Minc garantiu que quem quiser regularizar sua situação terá todo apoio para as atividades extrativistas, e declarou que o governo vai oferecer "milhões de reais, preço mínimo, tudo de bom".   Ele disse que a Operação Arco Verde terá recursos para o bom desenvolvimento, mas que terá mão dura contra a impunidade ambiental e os criminosos ambientais. Apesar do governador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PPS), ser a favor da revogação da resolução, Minc afirmou que principalmente agora que começa a estiagem na região amazônica - nos meses de junho, julho e agosto - "não se pode dar crédito para desmatar".   O ministro explicou que alguns municípios não serão atingidos pela resolução por não pertencerem ao bioma Amazônia. Propriedades que ficam na fronteira em área de cerrado ou pantanal deverá ter acesso à financiamentos. Um pouco antes, Maggi afirmou que não se podia ser simplista impedindo quem está produzindo de produzir. "Uma proibição pode levar a um aumento da ilegalidade", alertou ele.   O ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, disse que pela primeira vez na história, a Amazônia ocupa o centro da atenção nacional . "A nação anseia por uma reconciliação profunda e duradoura e de desenvolvimento e preservação". Para ele, o maior problema é que "estamos muito aquém de onde devíamos estar, tanto em iniciativas de preservação como de desenvolvimento".   Ele afirmou que o Ministério tem propostas de iniciativas em sete áreas para promover a reconciliação entre desenvolvimento e preservação. As áreas se referem a incentivos para iniciativas economicamente viáveis, promoção de práticas cooperativas, transporte e capacitação de recursos humanos, entre outras.  

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