Minc anuncia mudanças na administração de parques nacionais

Pacote inclui serviços de hotelaria, transporte, alimentação, venda de souvenirs, manutenção e ingressos

João Domingos, de O Estado de S. Paulo,

28 Agosto 2008 | 20h26

Os parques nacionais brasileiros são lindos, mas pouco protegidos, pouco usufruídos e dão prejuízo. "Queremos que continuem lindos e que sejam mais protegidos, mais usufruídos e dêem lucro", disse ao Estado o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, ao anunciar a decisão do governo de mudar radicalmente a forma de cuidar dos parques, com a privatização dos serviços de hotelaria, transporte, alimentação, venda de souvenirs, manutenção, cobrança de ingressos e estacionamentos em 25 parques nacionais. A administração continuará a cargo do Instituto Chico Mendes.   As licitações para sete parques foram consideradas prioridade. A primeira, para o Parque Nacional de Abrolhos, na costa da Bahia - um santuário natural, próprio para a reprodução de tartarugas marinhas e observação de baleias - deverá estar pronta em outubro. Os outros parques da lista dos primeiros são o de Fernando de Noronha, na costa de Pernambuco; da Tijuca, onde fica o Cristo Redentor, no Rio de janeiro; Agulhas Negras, no Rio, onde está o Pico de Agulhas Negras e o Lago Azul; Serra dos Órgãos, no Rio; Caparaó, em Minas Gerais e Espírito Santo; e Bocaina, no Rio, São Paulo e Minas.   O plano de concessão dos serviços nos parques nacionais será lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 13, durante visita a Petrópolis e Terezópolis. A intenção, de acordo com o ministro Carlos Minc, é acabar com a tradição de transformar os parques nacionais em fortaleza, em que ninguém pode entrar. "Guardadas as exigências do plano de manejo de cada um, queremos abri-los para o público, para a prática de trilhas, ciclismo, banho de cachoeira, observação de pássaros e de baleias, entre outras dezenas de atividades", disse Minc.   Nos Estados Unidos, a freqüência anual nos parques nacionais é de 192 milhões de pessoas; no Brasil, de 3,5 milhões. E 90% das visitas ocorrem nos parques do Iguaçu, onde estão as Cataratas, e na Tijuca, por causa do Cristo Redentor. "Tem muita coisa errada. Nossos parques são muito mais bonitos do que os dos Estados Unidos", afirmou Minc. Ele disse que o governo, ao optar pela concessão dos serviços dos parques, baseou-se nos modelos adotados nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Argentina e Chile, onde muito mais pessoas visitam os parques. Os serviços no Parque do Iguaçu já estão com a iniciativa privada.   Outro fator que prejudica os parques nacionais brasileiros é a completa falta de infra-estrutura, que agora, com a concessão ao serviço privado, o governo espera corrigir. Verificou-se, por exemplo, que quase não têm plano de manejo, a visitação é precária, as condições das estradas para muitos são muito ruins e que funcionários concursados acabam sendo um estorvo em serviços como o de cobrança de ingressos, por se sentirem pouco prestigiados.   Até 2010, o governo pretende concluir o pregão para a concessão dos serviços de outros 18 parques nacionais. Entre eles, Chapada Diamantina (BA), Chapada dos Guimarães (MT), Chapada dos Veadeiros (GO), Lençóis Maranhenses, Pantanal MT e MS), Serra da Canastra (MG), Serra da Capivara (PI), Sete Cidades (PI) e Ubajara (CE).   Nos estudos feitos pelos Ministérios do Meio Ambiente e do Turismo, foi concluído que a visitação de pessoas aos parques nacionais é uma poderosa ferramenta para sensibilizar a sociedade sobre a importância da conservação de áreas e processos naturais. O contato direto leva o visitante a adotar diferentes condutas e posturas pessoais e políticas favoráveis à proteção do meio ambiente.

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