Minc: acordo para enxofre no diesel foi 'o melhor possível'

Imposição de norma 'poderia significar um fechamento de oito fábricas e a demissão de 10 mil trabalhadores'

Giovana Girardi, de O Estado de S. Paulo,

31 Outubro 2008 | 17h20

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou que considera que o acordo fechado ontem entre os governos estadual, federal, Petrobrás e Ministério Público Federal, que adiou e restringiu o fornecimento de um diesel mais limpo no Brasil, "foi o melhor que poderia ter acontecido" para resolver o problema, disse ele, com exclusividade ao Estado.   Governo recua e autoriza diesel com 1.800 ppm de enxofre   Norma do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) de 2002 estabelecia que a partir do ano que vem, a Petrobras deveria fornecer o chamado diesel S50, que contém 50 partes de enxofre para cada milhão de partículas. Hoje o combustível comercializado nas regiões metropolitanas tem 500 ppm. No interior, são 2.000 ppm.   À véspera do início do período de vigência da resolução, a Petrobrás disse que não tinha condições de cumpri-la. Montadoras de veículos também disseram que ainda não tinham conseguido adequar seus veículos para funcionar com o novo combustível. Diante dessa situação, o Ministério Público Federal entrou com uma ação para exigir o cumprimento da regra.   Desde que assumiu o ministério, Minc vinha avisando que faria cumprir a resolução, mas, ontem, MPF e governo cederam às pressões das empresas. O acordo estabeleceu que somente ônibus de São Paulo e do Rio de Janeiro terão o S50 no ano que vem. Só em 2011 as demais regiões metropolitanas terão o S50. Já para o interior, a redução em 2009 será de 2.000 ppm para 1.800 ppm. Apenas em 2014 a frota desses lugares receberá o S500.   Minc afirmou ainda que se esse acordo não fosse alcançado, ele continuaria com sua posição anterior e não concederia licença para que 200 mil ônibus saíssem da fábrica no ano que vem.   "Para ser coerente, eu teria de falar: esses ônibus não saem. Mas isso poderia significar um fechamento de oito fábricas e a demissão de 10 mil trabalhadores", disse. "Pelo menos agora foram estabelecidas várias medidas para compensar essa poluição que será emitida com o não cumprimento (total) da resolução."   Leia reportagem completa na edição deste sábado de o Estado de S. Paulo

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